Rina Castelnuovo/The New York Times
Rina Castelnuovo/The New York Times

Repercussão da morte do escritor israelense Amós Oz

Autor de obras como 'De Amor e Trevas', 'Mais de uma Luz', 'Como Curar um Fanático', ele morreu de um câncer, aos 79 anos, na sexta, 28. Veja alguns depoimentos

Redação, O Estado de S. Paulo

28 Dezembro 2018 | 15h44

Luiz Schwarcz, amigo e publisher do autor no Brasil: 

"Estou chocado. Era um dos meus melhores amigos. Eu sempre escrevia a ele para saber da saúde dele e da Nily. Faz tempo que não escrevo. Há alguns meses me disse que o tratamento tinha sido bem-sucedido. Para mim é uma enorme perda pessoal. O visitei em janeiro deste ano e ele me mostrou o manuscrito de um romance no qual trabalhava. Permitiu que eu tirasse uma foto, mas a distância. A literatura mundial perde um de seus maiores protagonistas. E os amigos perdem um homem de generosidade fora do comum"

*

Michel Ghreman, professor da UFRJ e coordenador do Núcleo de Estudos Árabes e Judaicos:

"A perda de Amós Oz não significa o final do seu caminho, mas significa um baque fundamental num tempo em que pessoas como ele são mais necessárias do que nunca. Amós Oz não foi só um gênio da literatura, mas do humanismo judaico. Ele recriou uma cultura israelense que fez com que o Estado se mantivesse humanista, judaico e democrático até hoje. Ele representa tudo de bom que Israel produziu para seu povo e para a humanidade como um todo. Amós Oz é Não Diga Noite, A Pantera no Porão, De Amor e Trevas. Vai continuar nos seus livros, na suas obras e nos seus leitores. Se vai e deixa para trás o compromisso com a paz, democracia, justiça social, com o sionismo e o humanismo" 

*

Bernard-Henri Lévy, escritor:

"Muitas vezes, em momentos trágicos, quando a certeza parecia vacilar e o chão se esquivar, eu me perguntava: O que pensa Amós Oz? O que diz Amós Oz?" 

Ahmad Mansour, autor e psicólogo:

"O escritor israelense #AmosOz foi um modelo e uma voz da razão. Eu cresci com seus livros! Eu sempre serei grato a ele por isso. Descanse em paz" 

Jean Wyllys, deputado federal:

"'A característica que define a boa literatura, ou arte, é a capacidade de fazer se abrir um terceiro olho em nossa testa. Que nos faça ver coisas antigas e batidas de um modo totalmente novo'. Amós Oz (1939-2018)"

 * 

Rafael Kruchin, coordenador executivo do Instituto Brasil-Israel:

"O Instituto Brasil-Israel lamenta a perda de um intelectual e humanista de valor inestimável para a humanidade. 

Amós Oz, tendo nascido e vivido em Israel, com sua lucidez, pôde captar a formação do Estado judeu em seus múltiplos aspectos culturais e sociais, suas tensões e seus anseios que convergiam na direção de um ideal de pátria. Para além de sua obra literária, deixa muitos ensaios sobre suas reflexões e luta pela paz no Oriente Médio. Em oposição à lógica dos fanáticos, Oz sempre valorizou a tolerância como um princípio, como demonstra em sua frase lapidar: 'Enfrentar o fanatismo não significa eliminar todos os fanáticos, e sim, talvez, lidar cuidadosamente com o pequeno fanático que de alguma maneira se esconde na alma de muitos de nós'. Seu pensamento, mais vivo do que nunca, permanecerá entre nós como herança para as novas gerações"

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