Arquivo/Estadão
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Relembre 5 obras de momentos distintos da vida de Monteiro Lobato

Nesta segunda, 18, são comemorados 140 anos do nascimento do autor do 'Sítio do Picapau Amarelo'

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2022 | 10h00

Monteiro Lobato nasceu em 18 de abril de 1882, há exatos 140 anos. Até sua morte, em em 4 de julho de 1948, aos 66 anos, em decorrência de um derrame, produziu uma série de livros marcantes para a literatura nacional, em especial a infantojuvenil.

Relembre abaixo cinco livros sobre temas variados para conhecer um pouco mais sobre a obra do escritor taubateano.

'O Picapau Amarelo'

Provavelmente a obra mais famosa do autor, conta com personagens clássicos da literatura nacional como Emília, Pedrinho, Narizinho, Visconde de Sabugosa, Dona Benta, Tia Nastácia, tio Barnabé e Rabicó. Muitos deles presentes também na maior parte dos títulos de Monteiro Lobato, como Reinações de Narizinho, Caçadas de Pedrinho, Emília no País da Gramática e Geografia de Dona Benta

'Urupês'

Lançado em 1918, o livro trazia contos do autor, a maioria publicados previamente na Revista do Brasil ou no Estadão. Entre eles, Urupês (publicado na página 6 de O Estado de S. Paulo em 23 de dezembro de 1914) que marcou a primeira aparição do clássico personagem Jeca Tatu - à época grafado como Geca. Clique aqui para conferir.

Décadas depois, o humorista Amácio Mazzaropi se inspirou no legado de Lobato para viver o personagem nos cinemas. Assista ao trecho de um de seus filmes abaixo.

'O Presidente Negro'

Inspirado em H. G. Wells, o livro foi escrito antes de Lobato conhecer os Estados Unidos. A história se passa no ano 2228 e, às vésperas da escolha de um novo presidente norte-americano, a comunidade negra se vê impelida a assumir a fisionomia dos brancos. Em vez de fazer apologia à pureza racial, o escritor fez uso de uma metáfora sobre segregação e aculturação, com base na sociedade norte-americana do início do século 20, ainda distante da democracia racial. Clique aqui para ler mais sobre a obra.

'Negrinha'

Outra obra de Monteiro Lobato que abordava a questão racial, lançada. Lançada em 1923, retrata uma órfã desamparada, contrapondo a perversidade de uma patroa rica, gorda e religiosa à inocência de uma criança pobre, magra e permanentemente assustada. A protagonista Negrinha acaba sendo alvo de frequentes surras.

'O Inquérito do Saci-Pererê'

Em 1917, Monteiro Lobato lançou o "Inquérito do Saci" nas páginas do Estadão. O resultado foi reunido tempos depois no livro O Saci-Pererê: Resultado de um Inquérito. Também houve uma exposição em 18 de outubro daquele ano, na rua Libero Badaró, nº 111, com pinturas e esculturas referentes ao personagem escolhidas em concurso. 

Na época, o jornal abriu espaço para "investigação" sobre a lenda, pedindo aos leitores "um depoimento honesto" sobre como a pessoa conheceu o mito do personagem, quais histórias tivessem ouvido sobre ele e qual sua "forma atual" no local onde vivem.

A publicação destacava a mistura de elementos para compor a lenda, conforme consta no Estadão de 28 de janeiro de 1917:

"Das nossas criações populares, a mais original é o Saci-Pererê. Vem do autóctone que lhe deu o nome atual, corruptela de "Ças Cy Perereg". Sofreu o influxo do africano passando de caboclinho a molecote. Modificou-se por injução da física portuguesa. O mestiço meteu nele muitas coisas de seu. Acabará ainda sofrendo a influência do italiano, talvez..." 

"O Saci está na moda. Deve-o, sem dúvida, ao nosso distinto colaborador, Monteiro Lobato, que lhe dedicou dois artigos, abrindo, nas nossas colunas, um inquérito que está despertando, como era de prever, muita curiosidade", constava na publicação de dias depois, em 30 de janeiro de 1917.

Monteiro Lobato e o 'Estadão'

Monteiro Lobato também chegou a escrever diversos artigos para o Estadão, e até assumiu a redação do jornal por duas semanas em 1918, ao lado de Filinto Lopes, por conta da gripe espanhola (relembre aqui).

Após alguns anos morando nos Estados Unidos, o escritor retornou à vida no Brasil em 1931, com a mentalidade de que o ferro, o petróleo e as estradas poderiam ser o tripé do progresso ao País. Lança algumas séries de artigos entre maio e junho intitulados Machina e Energia, e outros sob nome de O Petróleo no Brasil entre novembro e dezembro daquele mesmo ano. Em 1936, publica O Escândalo do Petróleo, com acusações ao governo de Getúlio Vargas, que acabaram fazendo com que fosse preso em 1941. É possível ler alguns dos textos no Acervo do Estadão.

Durante o período na prisão, recebeu a visita de Lygia Fagundes Telles. Posteriormente, visitou a autora de surpresa, em seu aniversário. Clique aqui para relembrar o depoimento da escritora relatando o episódio.

Havia racismo na obra de Monteiro Lobato?

Parte de sua obra, como os livros Caçadas de Pedrinho e Negrinha, passou por críticas e acusações de ter conteúdo racista, como a referência de Tia Nastácia como "negra de estimação" ou "negra beiçuda", por exemplo, o que levou à discussão sobre seu uso na educação infantil. Argumentos contrários e favoráveis à retirada dos livros de Monteiro Lobato das salas de aula surgiram, fazendo com que a questão chegasse até o Supremo Tribunal Federal (STF).

Ainda que o contexto em que os textos foram escritos e no qual o escritor tenha sido criado as discussões e percepções raciais fossem outras na sociedade brasileira, recentemente, Cleo Monteiro Lobato, bisneta do autor, optou por lançar edições "atualizadas" da obra do escritor. 

Monteiro Lobato no streaming

Para quem quer matar a saudade ou apresentar a obra de Monteiro Lobato em forma audiovisual às novas gerações, o serviço de streaming Globoplay disponibiliza as 11 temporadas do Sítio do Picapau Amarelo, na sua versão exibida entre 1977 e 1986 pela Rede Globo. 

O seriado também teve outras adaptações conhecidas, como a feita pela TV Tupi em 1952, TV Cultura, em 1964, Bandeirantes, em 1967 e, mais recentemente, na própria Globo, novamente, em 2001. 

Clique aqui para assistir o Sítio do Picapau Amarelo no Globoplay. 

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