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Quatro Poemas de Stephen Crane

Stephen Crane (1871-1900), embora figura menor no cenário da literatura norte-americana, foi contudo um precursor da revolução literária americana que rompeu com as tradições do passado até então predominantes nos EUA.

Traduzidos por Eloah F. Giacomelli,

22 de janeiro de 2011 | 10h08

Na ficção Maggie, A Girl of the Streets (1893) é o primeiro romance norte-americano verdadeiramente naturalista. Crane, contudo era um experimentalista, e assim, no seu segundo romance, The Red Badge of Courage (1895) e nos seus primeiros contos produziu os primeiros exemplos do moderno impressionismo americano.

Foi William Dean Howells, um dos seus "pais literários" que o introduziu à poesia recentemente publicada, e então considerada excêntrica de Emily Dickinson.

Crane reagiu com enorme empatia à poesia de caráter radical de Emily, hoje universalmente reconhecida como um dos gêneros poéticos da literatura americana. Como resultado dêsse contato, Crane passou a compor poesias de um impressionismo imagístico, vinte anos antes do aparecimento do movimento que se tornaria conhecido como "imagismo".

Durante sua vida, Crane publicou dois volumes de poesia, The Black Riders and Others Lines (1895) e War is Kind (1899). A tuberculose ceifou o poeta na Alemanha (...), para onde fôra esperançoso de recuperar a saúde.

I

Um deus irado

estava surrando um homem:

esbofeteava-o ruidosamente

com pancadas trovejantesque reboavam e retumbavam sôbre a terra.

O povo todo veio correndo.

O homem gritava e lutava

e mordia furiosamente os pés do deus.

O povo exclamou:

"- Ah, que homem maldoso."

E -

"- Ah, que deus formidável."

II

No deserto

vi uma criatura, nua, bestial,

que agachada ao chão

segurava nas mãos o seu coração

e dêle comia.

Perguntei: " - É gostoso, amigo?

" - É amargo, amargo", êle respondeu.

" - Mas gosto dêle

por ser amargo

e por ser meu coração".

III

Vi um homem perseguindo o horizonte:

em círculos iam disparando um atrás do outro

Perturbei-me com isso.

Abordei o homem

" - É em vão", eu disse.

"você nunca poderá..."

" - Mentiroso!" êle exclamou.

e continuou a correr.

IV

Deus jazia morto no céu:

anjos cantavam o hino do fim:

os ventospúrpuros repetiam gemidos,

suas asas gôta a gôta

sangue

derramavam sôbre a terra.

Esta padecente coisa,

tornou-se negra e definhou-se.

Então negra e definhou-se.

Então das cavernas distantes

de pecados mortos

saíram monstros lívidos de desejo.

Lutaram,

brigaram por causa do mundo

- um naco.

Mas da total tristeza, isso foi triste:

Os braços de uma mulher tentando proteger

a cabeça de um homem adormecido

contra as maxilas da última fera.

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