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‘Quando a pátria chama, não fujo à luta’, diz novo presidente da Biblioteca Nacional

Rafael Nogueira disse que só vai falar sobre os planos quando se reunir com os servidores da Biblioteca Nacional, que já protestaram contra nomeação; Roberto Alvim posta foto dos novos secretários e faz analogia a super-heróis

Redação, O Estado de S. Paulo

04 de dezembro de 2019 | 11h00

Rafael Nogueira vai presidir a Fundação Biblioteca Nacional, uma das mais importantes instituições culturais brasileiras - e a principal na preservação da memória. A nomeação foi publicada na segunda-feira, 2, no Diário Oficial. Na terça, 3, à noite, em sua página do Facebook, ele agradeceu “comovido a confiança e o respeito” que o secretário especial da Cultura Roberto Alvim e o presidente Jair Bolsonaro demonstram ter por ele. “Mas que ninguém pense que se trata de desfrute. É serviço à pátria. E eu não esperava outra coisa.”

A polêmica acerca de sua nomeação, que começou no momento do anúncio, saiu das redes sociais e foi para a rua. Um protesto realizado por um grupo de servidores da Biblioteca Nacional, no Rio, ontem, questionava se Nogueira, que é formado em Direito e Filosofia, com pós-graduação em Educação e mestrado incompleto em direito internacional, como informa seu currículo, teria as qualificações técnicas para o cargo - uma delas, segundo os funcionários, é ter mestrado.

Em seu perfil no Facebook, onde tem mais de 23 mil seguidores, Rafael Nogueira, que ainda não aceitou dar entrevistas, não comentou o protesto, mas criticou a forma como foi apresentado pela imprensa. “Cobram-me como presidente da FBN pelo que dizem que eu falei como cidadão privado, muitos anos atrás”, escreveu - e disse que o efeito disso é “agressivo” e “injusto”.

Monarquista, ele chamou a proclamação da república de “golpe militar improvisado e injustificável”. Em outra ocasião, associou Caetano Veloso ao analfabetismo. Olavista, "trabalha com formação política de eleitores, militantes e candidatos, com análises em três rádios diferentes em Santos, e escreve sobre educação e filosofia". Um desses programas é o Hora Conservadora. Integra também uma plataforma chamada Brasil Paralelo, que promove cursos sobre política. É criador do curso Estudos Clássicos.

“Todas essas manchetes polêmicas que pretendem informar sobre mim foram feitas a partir de publicações antigas que fiz nas minhas redes sociais, às vezes, mais de dez anos atrás, retiradas de contexto de forma a se tornarem muito diferentes, e que provavelmente nem sua ideia exata eu endossaria hoje”, escreveu. E completou: “O que sei bem é que, hoje, não publicaria nada como um livre cidadão privado o faz para os seus amigos. Um cargo assim exige que eu me comporte de acordo com a sua dignidade, respeitando a coisa pública.”

Seus planos para os próximos anos, ele escreve ainda na publicação, eram muito diferentes do que está se desenhando. Disse que ter um cargo público nunca foi um sonho e que sabia que sua vida “seria virada de cabeça para baixo e que sofreria um sem número de injustiças”. “Mas quando a pátria chama, não fujo à luta”, concluiu.

Rafael Nogueira comentou ainda que não está dando entrevistas, mas o motivo não é “birra com a imprensa”. “Não acho adequado dizer a todos o que vou fazer ou deixar de fazer sem sequer ter tomado posse, e sem ter conversado com os funcionários da instituição. Minha antecessora já sinalizou, com razão, que ficar sabendo de novidades pela imprensa não é o ideal. Em respeito ao corpo de funcionários da Biblioteca Nacional, prefiro me dirigir antes a eles.”

Ontem, foi realizada a primeira reunião dos novos membros da Secretaria Especial da Cultura. Em um post em seu perfil no Facebook, o secretário Roberto Alvim, que chamou o momento de "primeira renião histórica", incluiu duas fotos: uma do novo secretariado e outra de super-heróis.

A Biblioteca Nacional

Responsável pela "execução da política governamental de captação, guarda, preservação e difusão da produção intelectual do País", a Biblioteca Nacional tem mais de 200 anos de história e uma grande importância para a preservação da memória nacional. Entre outras ações, além de guarda e preservação de todos os livros publicados no País, jornais e outros materiais, a Biblioteca Nacional tem programas de apoio à tradução de autores brasileiros no exterior, concede prêmios anualmente e foi responsável, em 2013, pela participação do Brasil na Feira do Livro de Frankfurt, quando o País foi homenageado e uma comitiva de autores foi à feira alemã.

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