Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Quadrinista produz reportagem gráfica para o 'Estado'

Alexandre de Maio faz demonstração de como os quadrinhos podem auxiliar a narrativa jornalística

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2018 | 03h00

O jornalista e quadrinista Alexandre de Maio já havia lançado obras em coautoria com o escritor Férrez (Os Inimigos Não Mandam Flores, 2006, e Desterro, 2013) e com a repórter Andréa DiP (Meninas em Jogo, 2014), quando finalmente alçou seu primeiro voo solo: Raul, publicado em 2018. 

Esse não é o nome de seu biografado – a reportagem gráfica utiliza nomes fictícios, e o protagonista é chamado genericamente de Rafa durante a história. “Raul” na verdade é a palavra que os criminosos utilizam para se referir aos golpes aplicados dentro de agências bancárias para roubar dados de cartões de crédito. 

Enquanto ganhava a vida dessa forma, Rafa começou a ascender na cena do rap nacional. Em 2006, às vésperas da gravação de seu primeiro clipe profissional que deveria alçá-lo ao estrelato, Rafa foi preso em Brasília com uma quadrilha. Em certo ponto da HQ, De Maio pergunta a maior frustração do golpista: o fracasso de sua carreira musical.

De Maio é um dos principais nomes do jornalismo em quadrinhos no Brasil, tendo obras publicadas também na França. Além dele, nomes como Carol Ito, Augusto Paim e Robson Vilalba são alguns dos quadrinistas que vêm publicando suas criações nessa vertente. Além deles, De Maio cita os peruanos Jesús Cossio, Alfredo Villar e Luis Rossel como uma grande influência nessa área.

“Acho que o próximo passo seria, assim como os grandes veículos têm um repórter, um cronista ou um entrevistador, ter um quadrinista no seu quadro de funcionários”, afirma De Maio. Diferente de uma matéria em texto, que pode conter fotografias ou descrições, a reportagem gráfica consegue transmitir, de modo mais respeitoso e menos apelativo uma história. 

Para exemplificar como funciona a narrativa de uma reportagem em quadrinhos, o Estado pediu a Alexandre de Maio que ele produzisse uma matéria sobre algum fato relevante ocorrido nas últimas semanas no Brasil. O autor aceitou o desafio e retratou, em formato de quadrinhos, uma perspectiva gráfica sobre as motivações de Euler Fernando Grandolpho, o atirador que tirou a vida de cinco pessoas em Campinas, em 11 de dezembro, por meio de alguns dos bilhetes que ele deixou. 

Abaixo, a reportagem de Alexandre de Maio:

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