John Minchillo/AP
John Minchillo/AP

Pulitzer 2021 premia romance de Louise Erdrich e biografia de Malcolm X

Veja quem são os vencedores do Pulitzer nas categorias artísticas

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2021 | 15h58

O Prêmio Pulitzer anunciou, no começo da tarde desta sexta-feira, 11, os vencedores de suas 22 categorias - 15 delas em jornalismo e as outras em literatura, música e teatro. Darnella Frazier, que filmou o assassinato de George Floyd por um policial americano, ganhou uma menção honrosa ao final do anúncio. “Um vídeo que gerou protestos contra a brutalidade policial em todo o mundo, destacando o papel crucial dos cidadãos na busca dos jornalistas pela verdade e justiça”, foi dito durante a apresentação.

A cobertura feita pela imprensa americana da morte de Floyd e dos protestos que se seguiram a ela e também a cobertura da pandemia do coronavírus foram destaques da premiação deste ano nas categorias jornalísticas. Entre os veículos premiados estavam The New York Times, Star Tribune, The Boston Globe, The Atlantic, Reuters, Associated Press e Buzzfeed. A Associated Press, aliás, ganhou o prêmio também nas duas categorias fotográficas – com uma série feita na Espanha, retratando idosos com coronavírus, e outra com imagens de diversas cidades americanas durante os protestos pela morte de Floyd.

Nas categorias artísticas, o debate sobre a questão racial e indígena estava em quase todos os livros e trabalhos premiados.

Em biografia, The Dead Are Arising: The Life of Malcolm X, de Les Payne e Tamara Payne, foi o vencedor. O jornalista iniciou esta pesquisa nos anos 1990 e entrevistou todas as pessoas que encontrou pelo caminho que poderiam ter tido contato com Malcolm X. Les Payne morreu no fim do processo, em 2018, e sua filha terminou o livro

Wilmington's Lie: The Murderous Coup of 1898 and the Rise of White Supremacy, de David Zucchino, vencedor da categoria não ficção, conta uma história pouco conhecida da maioria dos americanos, passada numa cidade em que, no final dos anos 1880, negros e brancos tinham oportunidades quase iguais graças à luta de ex-escravizados, algo inaceitável para supremacistas brancos.  

Em História, o livro premiado foi Franchise: The Golden Arches in Black America. Nele, Marcia Chatelain investiga a relação entre as comunidades negras e a mais popular rede de fast food: o McDonald’s. E mostra como o fast food é uma fonte de poder, econômico e político, e de desespero para os afro-americanos. 

Louise Erdrich, uma das mais festejadas escritoras americanas, presente nas livrarias brasileiras com A Casa Redonda (Alfaguara), venceu a categoria ficção com o romance com The Night Watchman: A Novel. O livro é baseado na vida de seu avô. Ele trabalhava como vigia noturno e teve um papel importante na resistência a uma tentativa do Congresso de retirar o reconhecimento federal da reserva indígena de onde sua família vinha. Já Natalie Díaz, de origem Mojave, ganhou em poesia com a coletânea Postcolonial Love Poem – um livro nascido do sofrimento causado aos povos indígenas e da necessidade de se lutar contra o esquecimento e de dar voz a todos os corpos.

Em música, a premiada foi Tania Léon, com Stride, que, segundo o júri, é “uma jornada musical cheia de surpresas, com metais poderosos e motivos rítmicos que incorporam as tradições da música negra dos Estados Unidos e do Caribe em um tecido orquestral ocidental.”

The Hot Wing King, peça de Katori Hall ambientada em uma competição culinária, ganhou em teatro.

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