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Professor insere economia em romance para falar de ambição por poder e riqueza

'Jeromin – Memórias de Um Capataz', de Paulo Sandroni, narra a história de um fazendeiro que usa métodos econômicos arcaicos

Cley Scholz, O Estado de S. Paulo

28 Março 2015 | 03h00

O economista Paulo Sandroni sempre se preocupou em buscar formas criativas de ensinar economia a seus alunos e leitores. 

Como professor da FGV e da PUC de São Paulo, ele costuma desenvolver jogos para facilitar o entendimento de questões econômicas. 

O livro Traduzindo o Economês (Editora Best Seller, 2000) faz parte deste esforço de popularizar os conceitos do mundo econômico, assim como O Que É a Mais Valia (Brasiliense, 1985).

Com dois Jabutis em 1995 e 2000 pelo seu Dicionário de Economia, o professor resolveu recentemente escrever um romance com temas econômicos, com o mesmo propósito de despertar o interesse dos jovens estudantes por conceitos nem sempre fáceis de traduzir.

Seu livro de estreia na ficção é resultado desta que seria apenas uma experiência com fins didáticos. Era para ser um enredo recheado de notas de rodapé com explicações sobre atividade agrícola, usucapião, mais valia, posse e propriedade, entre outros temas frequentes nas suas aulas de economia na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

Ao final de dois anos de trabalho, o editor recomendou que todas as notas explicativas fossem suprimidas para que os leitores pudessem aproveitar sem interrupções a empolgante história narrada em Jeromin – Memórias de Um Capataz.

O patrão de Jeromin é o Dr. Militão, um fazendeiro que usa métodos cada vez mais arcaicos para resolver os problemas agrários à medida que perde a memória. O ambiente criado pelo autor traz muito mais do que os dramas impostos ao homem do campo pela evolução dos métodos de produção. Revela também a sua experiência como pesquisador do meio rural e apaixonado pela vida no campo e pescarias.

Ao retornar ao Brasil após exílio durante o regime militar, Sandroni trabalhou como pesquisador rural no Nordeste. Antes, estudou a fundo a produção de café na Colômbia e foi professor em Bogotá, após viver no Chile, onde também trabalhou como professor universitário até a derrubada do governo de Salvador Allende.

O autor prepara uma versão acadêmica, com notas explicativas com todos os conceitos econômicos que aparecem na narrativa do romance, com ênfase nas novas formas de avanço do capitalismo no meio rural destruindo as formas pré-capitalistas que ainda sobrevivem em grande parte da agricultura brasileira.

JEROMIN - MEMÓRIAS DE UM CAPATAZ

Autor: Paulo Henrique Sandroni

Ed.: Biblos (212 págs., R$ 38)

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