Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Prêmio Oceanos vai dar R$ 230 mil aos autores das melhores obras em língua portuguesa

Antigo Prêmio Portugal Telecom de Literatura, ele terá curadoria de Selma Caetano e apoio do Itaú Cultural; entrega será em dezembro

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2015 | 12h46

Cancelado este ano pelos patrocinadores, o Prêmio Portugal Telecom de Literatura não deixará de existir totalmente. Com novo nome, algumas mudanças de regulamento e novo apoiador, ele se transformou no Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa, anunciado nesta terça-feira, dia 9. Há 13 anos à frente da premiação, a curadora Selma Caetano terá, agora, o Itaú Cultural como correalizador e patrocinador. 

As categorias romance, poesia e conto/crônica deixam de existir. “Vamos pensar na criação literária como um todo, e seu impacto deve sobrepujar o gênero”, conta Selma Caetano. Se antes havia um vencedor em cada categoria, que ganhava R$ 50 mil, e entre eles era escolhido ainda o melhor livro, que renderia ao seu autor outros R$ 50 mil, agora serão quatro os premiados, independente do gênero da obra. O primeiro colocado ganha R$ 100 mil. O segundo, R$ 60 mil, o terceiro, R$ 40 mil e o quarto, R$ 30 mil. 

As inscrições estarão abertas entre 10 de junho e 10 de julho pelo site www.itaucultural.org.br/oceanos2015. Podem ser inscritos livros de autores lusófonos publicados no Brasil em 2014. No caso de obras de autores estrangeiros, elas devem ter sido publicadas em seus países de origem entre 2011 e 2014 – e em 2014 aqui. Os organizadores pretendem avaliar a possibilidade de incluir obras que não tenham, necessariamente, sido editadas no País, mas isso é mais para frente – como também ficou para um futuro, não se sabe se próximo, a inclusão de obras exclusivamente digitais.

Os curadores são Selma Caetano, Noemi Jaffe e Rodrigo Lacerda. Já o conselho, que não tem poder de voto, é formado por Antonio Carlos Secchin, Beatriz Resende, Benjamin Abdala Jr, Claudiney Ferreira, Flora Sussekind, José Castello, Leyla Perrone-Moisés, Lourival Holanda, Manuel da Costa Pinto e Selma Caetano. A cada ano, ele será reformulado e metade de seus integrantes será substituída. Sua função é validar todas as ações da curadoria e da gestão do Itaú Cultural.

O júri inicial, indicado pelos organizadores, terá entre 100 e 150 pessoas, entre críticos, jornalistas, professores, pesquisadores, etc. Dessa primeira etapa sairão os 40 semifinalistas e os membros do júri intermediário, que escolherá os 12 finalistas, e o final, que anunciará os quatro vencedores. A cerimônia de premiação será em dezembro, no Auditório do Ibirapuera, e eventos com os concorrentes devem ser realizados em diversas cidades.

Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, que não quis que o prêmio levasse o nome da instituição, disse que ele é “uma ponta desse iceberg”. As informações recolhidas durante o processo poderão servir para outros projetos, como o Rumos e o Conexões, e para outras edições. Sobre o fato de ter abarcado a premiação, ele diz: “No momento em que vemos alguns refluxos, nos reposicionarmos frente a essas questões é também uma resposta política. Não podemos deixar projetos relevantes ficarem para trás por causa de um contexto macroeconômico”.

O dinheiro do prêmio, Saron explica, vem da governança do Itaú Cultural. “Temos um orçamento, e uma parte muito pequena vem de incentivo fiscal. Historicamente, estamos ampliando a participação do Itaú Cultural e diminuindo o uso de incentivo fiscal aqui dentro. É um compromisso do grupo. No caso do prêmio, não há incentivo da Lei Rouanet. São recursos do Itaú Cultural repassados pelo próprio Itaú Unibanco”. 

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