AFP PHOTO / JONATHAN NACKSTRAND
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Prêmio Nobel de Literatura não foi entregue em sete ocasiões e foi adiado em outras sete

É a primeira vez em 69 anos que a Academia Sueca decide não conceder a maior honraria literária do mundo

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

04 Maio 2018 | 08h56
Atualizado 04 Maio 2018 | 12h37

Entre as duas grandes Guerras Mundiais, o Prêmio Nobel de Literatura não foi concedido em sete ocasiões: 1914, 1918, 1935, 1940, 1941, 1942 e 1943 (em nenhuma categoria ele foi entregue entre 1940 e 1942). Em outras sete, houve uma "reserva" para o ano seguinte: 1915, 1919, 1925, 1926, 1927, 1936 e 1949.

A decisão de adiar a entrega da maior honraria literária do mundo em 2018, portanto, ocorre pela primeira vez em 69 anos — a última foi justamente em 1949. O vencedor daquele ano, William Faulkner, foi na verdade premiado em 1950.

Segundo o site oficial do Prêmio, os estatutos da Fundação Nobel dizem: “Se nenhum dos trabalhos sob consideração é considerado da importância indicada no primeiro parágrafo, o prêmio em dinheiro deve ser reservado até o ano seguinte. Se, mesmo assim, o prêmio não puder ser entregue, o montante deve ser adicionado aos fundos restritos da Fundação”.

Considerando as outras categorias (como medicina, física e paz), o Nobel não foi entregue em 49 oportunidades.

Especificamente em 1914, 1918 e 1943, o Nobel da Paz também não foi cedido, enquanto que os de ciências e de medicina, sim. Em 1935, nenhum candidato da literatura foi honrado, mas vencedores foram escolhidos nas outras áreas.

Os prêmios de ciência e medicina foram entregues todos os anos desde 1942, mas o da Paz não teve vencedores em 1972. O de economia, que começou em 1968 e não está diretamente ligado ao testamento de Alfred Nobel, foi entregue todos os anos desde então.

Em 1939, o Nobel de Literatura foi Frans Eemil Sillanpää, finlandês (antes de a Finlândia se envolver na Guerra contra a União Soviética). Em 1944, o Prêmio foi para Johannes V. Jensen, dinamarquês (a Dinamarca, na época, ocupada pelos nazistas). Em 45, foi para Gabriela Mistral, poeta chilena que na época vivia no Brasil.

Também houve quatro situações em que o Nobel de Literatura foi dividido: 1904 (Frédéric Mistral e José Echegaray), 1917 (Karl Gjellerup e Henrik Pontoppidan), 1966 (Shmuel Agnon e Nelly Sachs) e 1974 (Eyvind Johnson, Harry Martinson). A Academia diz que o fato de o prêmio ser raramente dividido se deve “à própria natureza da literatura”, enquanto que em outras áreas o fato é mais comum.

Duas pessoas na história negaram o Nobel de Literatura. Boris Pasternak, em 1958, que havia aceitado, mas depois foi forçado pelas autoridades da União Soviética a rejeitar o prêmio. E Jean-Paul Sartre, em 1964: era seu costume e princípio não aceitar honrarias oficiais.

Vencedores do Nobel de Literatura (1913-1919 e 1938-1946)

1946 — Hermann Hesse (Alemanha; ele vivia na Suíça)

1945 — Gabriela Mistral (Chile)

1944 — Johannes Vilhelm Jensen (Dinamarca)

1943 — Não foi concedido

1942 — Não foi concedido

1941 — Não foi concedido

1940 — Não foi concedido

1939 — Frans Eemil Sillanpää (Finlândia)

1938 — Pearl Buck (Estados Unidos)

*

1919 — Carl Friedrich Georg Spitteler (Suíça)

1918 — Não foi concedido

1917 — Karl Adolph Gjellerup (Dinamarca) e Henrik Pontoppidan (Dinamarca)

1916 — Carl Gustaf Verner von Heidenstam (Suécia)

1915 — Romain Rolland (França)

1914 — Não foi concedido

1913 — Rabindranath Tagore (Índia)

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