REUTERS/Kieran Doherty
REUTERS/Kieran Doherty

Prêmio Nobel de Literatura, Doris Lessing foi espionada por 20 anos

O MI5 gravou conversas telefônicas e vistoriou correspondência

Redação, EFE

21 de agosto de 2015 | 19h49

LONDRES - O serviço secreto do Reino Unido investigou durante 20 anos a escritora britânica Doris Lessing (1919-2013), prêmio Nobel de Literatura de 2007, por seu “anticolonialismo” e sua “afinidade comunista”, segundo revelam documentos tornados públicos nesta sexta-feira, 21. 

O MI5, serviço de contraespionagem que atua no território do Reino Unido, com a ajuda da Polícia Metropolitana de Londres, gravou conversas telefônicas, vistoriou correspondência e vigiou Lessing entre o início da década de 1940 até aproximadamente 1962. A escritora e seus amigos foram investigados por sua “forte oposição ao colonialismo” desde 1940, quando se casou na Rodésia do Sul (hoje Zimbabue) com Gottfried Lessing, ativista comunista e líder do Left Book Club, espécie de clube do livro dedicado à literatura esquerdista.

“Sua afinidade comunista beira o fanatismo devido ao fato de ter passado a infância na Rodésia. Isso gerou um ódio profundo contra a segregação racial”, afirma um informante do MI6, o serviço de espionagem exterior, em 1952, três anos após Lessing ter se instalado em Londres. “O colonialismo tornou-se seu assunto preferido. É irresponsável em suas declarações e chegou a afirmar que tudo que é negro é maravilhoso e que os homens brancos são impiedosos.” O espião informou ainda que a casa da escritora “poderia estar sendo usada para fins imorais”. 

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