ALEX SILVA/ESTADÃO
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Premiados do São Paulo de Literatura já têm novos títulos na gaveta

O potiguar Estevão Azevedo e as pernambucanas Débora Ferraz e Micheliny Verunschk revelam seus projetos literários

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

01 de dezembro de 2015 | 20h37

Mais de 1.200 livros já passaram pelos jurados do prêmio São Paulo de Literatura em seus oito anos de existência, dos quais 215 entraram em competição na atual edição. Dois deles são de autores com menos de 40 anos, o potiguar Estevão Azevedo, de 37 anos, e a pernambucana Débora Ferraz, com apenas 28 anos. A terceira premiada, também pernambucana, Micheliny Verunschk, tem 43 anos. Considerando que o trio concorreu com autores como Chico Buarque, Cristovão Tezza e Silviano Santiago, essa vitória torna lícita a expectativa de que os três, no futuro, voltem a figurar na mesma lista, como o paranaenseTezza, vencedor na primeira edição, de 2008.

“Ainda estou meio fora do ar”, diz Estevão Azevedo, cujo Tempo de Espalhar Pedras (Cosac Naify) foi eleito pelo júri o melhor livro do ano. “Afinal, concorrer com nomes que a gente admira, como Chico Buarque e Cristovão Tezza, é um desafio.” Azevedo recebeu o prêmio de R$ 200 mil por sua narrativa sobre uma comunidade de mineradores que vive em situação tensa, quando os diamantes da região começam a ficar escassos, causando disputas e violência.

Formado em jornalismo, Azevedo desistiu da profissão para tratar histórias como essa num registro ficcional. “Não tinha jeito para ser jornalista, sou muito tímido”, justifica. A exemplo do vencedor, outros concorrentes do prêmio (Heloísa Seixas, João Anzanello Carrascoza, André Viana) tiveram livros publicados pela Cosac Naify, editora que agora encerra sua história, após 19 anos de intensa atividade no mercado. Ainda sem novo vínculo editorial, Azevedo tem em mãos dois originais, a novela Nenhum Olho Me Verá, que será publicada na mídia digital (pelo selo Jota, com curadoria de Noemi Jaffe) – sobre a filha de um pastor evangélico dividida entre o sagrado e o profano – e uma dissertação de mestrado que pretende publicar, sobre a obra literária de Raduan Nassar.

Com temática que evoca os conflitos de ordem religiosa dos livros de Flannery O’Connor, a pernambucana Micheliny Verunschk ganhou o prêmio de melhor autor(a) estreante com mais de 40 anos com Nossa Terra – Vida e Morte de Uma Santa Suicida (Editora Patuá), que marca sua estreia no gênero romance. A escritora conta a história de uma adolescente com todos os atributos para virar santa, que decide se matar – e, a despeito disso, é canonizada como padroeira dos suicidas. “É uma história interpretada por um padre e pelos que conviveram com ela, cujo narrador é um velho arrogante que transita por várias épocas”, resume.

O tema da santidade volta a ser abordado por Micheliny em tese que será defendida na PUC-SP sobre santos populares da América Latina que tiveram mortes violentas. Ela fez uma pesquisa extensa sobre o assunto, na esteira de Nossa Terra, e já prepara o lançamento de um novo romance, O Amor, Esse Obstáculo, sobre um menino que testemunha a morte dos pais e é raptado pelos assassinos, alimentando o desejo de vingança na adolescência. Também vencedora do prêmio na categoria de estreante com menos de 40 anos, Débora Ferraz ganhou com um livro sobre o rito de passagem da adolescência para a idade adulta em Enquanto Deus Não Está Olhando, sobre uma jovem em busca de seu pai, que fugiu do hospital.

Mais prêmios. Ainda em dezembro, dois outros prêmios serão entregues. Nesta quinta, 3, no Auditório do Ibirapuera, será entregue o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Maria Valéria Rezende recebe o prêmio de melhor romance por Quarenta Dias. Na terça, dia 8, no mesmo Auditório do Ibirapuera, o Itaú Cultural entrega o prêmio Oceanos 2015, que tem, entre os concorrentes de melhor romance, Chico Buarque (O Irmão Alemão) e o estreante Estevão Azevedo, que ganhou o São Paulo de Literatura.

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