Universidade de Coimbra
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Português Vítor Aguiar e Silva é o vencedor do Prêmio Camões 2020

Distinção é considerada o prêmio literário em língua portuguesa mais importante do mundo; vencedor em 2019 foi Chico Buarque

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2020 | 15h33
Atualizado 27 de outubro de 2020 | 18h43

O professor, teórico e escritor português Vítor Aguiar e Silva foi escolhido como o Prêmio Camões 2020. O autor é signatário da Petição em Defesa da Língua Portuguesa Contra o Acordo Ortográfico, que contou mais de cem mil assinaturas na época do lançamento. O anúncio do prêmio foi feito nesta terça, 27, pela ministra da Cultura de Portugal, Graça Fonseca.

Vítor Aguiar e Silva é pesquisador da literatura portuguesa dos séculos 16 e 17, bem como da obra de Luís de Camões e das metodologias literárias.

“A atribuição do Prêmio Camões a Vítor Aguiar e Silva reconhece a importância transversal da sua obra ensaística, e o seu papel ativo relativamente às questões da política da língua portuguesa e ao cânone das literaturas de língua portuguesa”, explica a ata do Prêmio.

O vencedor ganha 100 mil euros, valor dividido entre os governos do Brasil e de Portugal. Criado em 1988, o Prêmio Camões elege a cada ano, pelo conjunto da obra, um escritor de países onde o português é a língua oficial. Atribuído desde 1989, é considerado o principal prêmio literário da língua portuguesa no mundo.

Vítor Manuel de Aguiar e Silva nasceu em 1939, na freguesia de Real, em Penalva do Castelo, Viseu, município da região central de Portugal. Licenciou-se na Universidade de Coimbra, onde também obteve o doutoramento, em 1971. Foi professor ali até 1989, quando se transferiu para a Universidade do Minho, onde passou a exercer também a função de vice-reitor, entre 1990 até 2002. Ele é também um dos fundadores do Instituto Camões, entidade portuguesa que trabalha pela difusão do idioma e da cultura em outros países.

Entre 1988 e 1992, também foi presidente da Comissão Nacional de Língua Portuguesa. Das suas produções, destacam-se Teoria da Literatura (1967), A Estrutura do Romance (1974), Teoria e Metodologia Literárias (1990), Camões: Labirintos e Fascínios (1994) e a coordenação geral do Dicionário de Luís de Camões, lançado em Portugal em 2011. “Creio que Eduardo Lourenço tem muita razão quando diz que Camões criou a única mitologia portuguesa. Em Portugal continuamos a invocar abundantemente figuras como Adamastor e o Velho do Restelo”, disse ele na época. Uma edição de Teoria da Literatura chega a custar R$375 na Estante Virtual. Em 2007, ele já havia vencido o Prêmio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores.

Em 2019, o vencedor do Prêmio Camões foi Chico Buarque, que agradeceu em vídeo apesar do presidente brasileiro não ter assinado o diploma. No ano anterior, foi Germano Almeida, de Cabo Verde.

Antes de Chico, o último brasileiro premiado tinha sido Raduan Nassar, em 2016. Além deles, os brasileiros ganhadores do Camões são: João Cabral de Melo Neto (1990), Rachel de Queiroz (1993), Jorge Amado (1994), Antonio Candido (1998), Autran Dourado (2000), Rubem Fonseca (2003), Lygia Fagundes Telles (2005), João Ubaldo Ribeiro (2008), Ferreira Gullar (2010), Dalton Trevisan (2012) e Alberto da Costa e Silva (2014).

O prêmio já foi concedido a 13 autores portugueses, 13 brasileiros, dois angolanos, dois moçambicanos e a dois cabo-verdianos. Entre os premiados estão apenas seis mulheres, sendo que entre estas autoras nenhuma era de origem africana.

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