Manuel Alegre
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Poeta português Manuel Alegre vence Prêmio Camões

Mais importante premiação da literatura em língua portuguesa, o Camões paga 100 mil euros ao seu vencedor; brasileiro Raduan Nassar ganhou em 2016

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

08 de junho de 2017 | 17h08

RIO - O poeta português Manuel Alegre, de 81 anos, conquistou o Prêmio Camões de 2017, a mais importante premiação da literatura em língua portuguesa. O anúncio ocorreu ontem na Biblioteca Nacional, no centro do Rio. A escolha do vencedor coube aos jurados José Luís Jobim de Salles Fonseca, Leyla Perrone Moisés (representantes do Brasil), Maria João Reynaud, Paula Morão (de Portugal), Jose Luiz Tavares (de Cabo Verde) e Lourenço Joaquim da Costa Rosário (de Moçambique). O poeta vai receber ¤ 100 mil (cerca de R$ 368 mil), oferecidos em partes iguais pelos governos do Brasil e de Portugal.

Instituído em 1988 pelos governos do Brasil e de Portugal, o prêmio contempla anualmente um autor da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, escolhido pelo conjunto de sua obra. A comissão julgadora é sempre composta por representantes do Brasil, de Portugal e dos países africanos de língua oficial portuguesa, e não há uma lista prévia de candidatos. Já cogitado no ano passado, Alegre foi escolhido por unanimidade.

Manuel Alegre é o décimo segundo autor português a conquistar o prêmio. Nascido em Águeda em 12 de maio de 1936, ele cursou Direito na Universidade de Coimbra, onde foi ativo dirigente estudantil. Contrário à ditadura instalada no país, passou a incomodar o regime e foi preso em 1963. Em 1964 se exilou em Argel, onde atuou como radialista em uma emissora clandestina e lançou seus dois primeiros livros, Praça da Canção (1965) e O Canto e as Armas (1967). Seus poemas se tornaram emblemáticos na luta contra a ditadura. Alegre retornou a Portugal em maio de 1974, dias após a queda do governo ditatorial. Ingressou no Partido Socialista e a partir de 1975 ocupou cargos no Parlamento. Candidato a presidente da República em 2006, ficou em segundo lugar, com mais de 1 milhão de votos.

“O prêmio é literário, mas é difícil não considerar a atuação política de Alegre. Ele criou uma literatura de combate, mesmo sem ter essa intenção”, afirmou a jurada Paula Morão. “Espero que agora se torne mais conhecido no Brasil.”

O Brasil já tinha, desde o ano passado, 12 escritores premiados com essa láurea. Moçambique e Angola têm, cada um, dois autores premiados, e um escritor de Cabo Verde também já foi agraciado com esse título. Em 2016 foi premiado o brasileiro Raduan Nassar, que causou polêmica ao criticar o impeachment de Dilma Rousseff (PT) durante discurso na cerimônia em que recebeu o prêmio, em fevereiro deste ano, em SP. O então ministro da Cultura Roberto Freire, presente à cerimônia, respondeu às críticas insinuando que Nassar deveria devolver o prêmio.

 

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