Guilherme Sobota/Estadão
Guilherme Sobota/Estadão

Pilar del Río e José Eduardo Agualusa lotam espaço alternativo na Flip

Jornalista espanhola e escritor angolano participaram da programação da Casa Cais, espécie de embaixada da língua portuguesa em Paraty

Guilherme Sobota - Enviado Especial, O Estado de S. Paulo

02 Julho 2016 | 21h12

PARATY - Um dos espaços mais interessantes da programação deste sábado, 2, em Paraty foi a Casa Cais – uma espécie de embaixada da língua portuguesa, idealizada pela cantora Luana Carvalho. A Casa recebeu duas espécies de ícones ligados às letras lusófonas: Pilar del Río e José Eduardo Agualusa.

Pilar ficou conhecida ao construir um relacionamento com José Saramago desde o fim dos anos 1980 até a morte do escritor português, em 2010, e hoje trabalha para manter viva a memória do único Prêmio Nobel da nossa língua. A jornalista espanhola emocionou a plateia – muita gente ficou por entrar – ao comentar seu relacionamento e o trabalho de preservação e divulgação da obra do escritor. Essa é sua primeira vez em Paraty. “Sempre chegamos onde nos esperam, dizia Saramago”, citou. 

“Dessa vez não foi um convite oficial, mas de uma pequena organização, estou muito emocionada de estar aqui e receber olhares carinhosos e simpatia: isso mostra que Saramago deve estar por aqui também”, disse ao final de sua participação.

O angolano Agualusa – que este ano teve um romance no shortlist do Man Booker International – falou sobre as intersecções da língua nos países africanos, Portugal e Brasil e da proliferação de eventos literários.

“Acredito que a Flupp (Festa Literária Internacional das Periferias) pode mudar a Flip”, disse. “Ainda são poucos negros no público em Paraty, e o jeito de transformar isso é o que a Flupp está a fazer”, apontou, se referindo à formação de leitores nas periferias.

Ele comentou a composição do governo interino no Brasil. “A maior parte do brasileiro não tem noção, mas os anteriores não tinham negros também”, disse. “Os governos no Brasil tinham que ser de maioria negra. O brasileiro acha normal, mas para quem vem de fora é chocante (que não seja assim).”

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