Patricia Cruz/Estadão
Patricia Cruz/Estadão

Pesquisa Retratos da Leitura cresce e começa a ser feita no Brasil todo

Agora com a parceria do Itaú Cultural, o levantamento do Instituto Pró-Livro amplia sua amostra, inclui perguntas sobre literatura e se desdobra para conhecer o perfil dos frequentadores de festivais literários

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2019 | 02h00

Pesquisadores do Ibope saem a campo na próxima semana para iniciar mais uma edição da Retratos da Leitura, o mais completo levantamento sobre o hábito de leitura do brasileiro, feito pelo Instituto Pró-Livro e que ganha este ano reforço do Itaú Cultural

Agora que o questionário foi revisto  e ampliado – o Itaú Cultural sugeriu a inclusão de  questões para entender a relação dos leitores com a literatura –, vai ser tudo muito rápido. No início de dezembro, a etapa de campo (cada entrevista pode durar até 45 minutos) deve estar concluída. Depois começa a tabulação (automatizada). O mais complicado, analisar e cruzar as respostas e preparar os relatórios, vem a seguir. Mas Zoara Failla, coordenadora da pesquisa, é otimista – se não exatamente com o resultado, pelo menos quanto ao prazo. Em março, tudo estará pronto para ser divulgado.

Esta é a 5.ª edição da Retratos da Leitura, que começou a acompanhar o comportamento leitor brasileiro em 2001 e teve outras edições em 2007, 2011 e 2015 – que, divulgada em 2016, mostrou, entre muitas outras coisas, que 44% da população não lê, 50% nunca comprou um livro e que o índice de leitura é de 4,96 livros por ano (2,43, se considerarmos os lidos até o fim). 

Ao longo dos anos, a pesquisa vem indicando ligeira melhora, mas ainda é muito pouco – e Zoara não acredita que o resultado será mais animador. “Sempre esperamos que melhore, claro, mas se olharmos para outras avaliações, como para a qualidade da nossa educação, vemos que isso também não está melhorando. Se não melhora a educação, dificilmente vai melhorar a qualidade da leitura.”

Outra novidade  é a ampliação da amostra – de cerca de 5 mil pessoas para 8 mil. Isso vai, de acordo com Zoara, possibilitar pela primeira vez que os dados sejam isolados por capital.

O interesse do Itaú Cultural na pesquisa, explica Eduardo Saron, diretor da instituição, vem da necessidade cada vez maior de se ter dados sobre os hábitos culturais. “Não é possível formular políticas públicas ou fazer ações estratégicas quando temos pouco ou nenhum dado”, comentou.

A parceria com o Instituto Pró-Livro, entidade mantida pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros,  Câmara Brasileira do Livro  e Associação Brasileira de Editores e Produtores de Conteúdo e Tecnologia Educacional, prevê, ainda, a realização de recortes da pesquisa Retratos da Leitura em festivais literários. Os dois primeiros, cujos resultados serão divulgados nesta quinta, 7, foram feitos da Bienal do Livro e na Flup, a Festa Literária das Periferias, ambas no Rio (veja aqui os destaques). No ano que vem, os pesquisadores desembarcam na Fliaraxá, Cooperifa, Bienal de São Paulo e Flip. 

Para Saron, as pesquisas – a Retratos e essas individuais – se associam. A primeira apresenta uma visão geral do perfil leitor do brasileiro (a Bíblia, em 2015, era o livro mais lido). A outra investiga os hábitos daqueles que já são leitores de literatura e frequentam os eventos literários. “Os resultados vão ajudar a nortear nossas ações e oferecer elementos para que produtores de festivais possam ter cada vez mais impacto nas sociedades.” 

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