Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Pepetela vence Prêmio Literário Casino Correntes D’Escritas em Portugal

Aos 78 anos, o escritor angolano venceu com seu romance 'Sua Excelência, de Corpo Presente'

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

19 de fevereiro de 2020 | 10h30

Prêmio Camões de 1997, o escritor angolano Pepetela venceu por unanimidade o Prêmio Literário Casino Correntes D’Escritas, em Portugal, com o livro Sua Excelência, de Corpo Presente. O anúncio foi feito na manhã desta quarta-feira, 19, na abertura do festival literário homônimo, realizado em Póvoa do Varzim.

Pepetela, de 78 anos, vai ganhar 20 mil euros, mas não poderá comparecer à cerimônia premiação por ter sido submetido a uma cirurgia recentemente.

O júri foi composto por Ana Daniela Soares, Carlos Quiroga, Isabel Pires de Lima, Paulo Mendes Coelho e Valter Hugo Mãe. Eles destacaram “a originalidade do estratagema narrativo eficaz para denunciar com ironia uma história de nepotismo e abuso de poder próprios de sistemas totalitários”. Comentaram também o poder premonitório do autor e disseram que sua ficção “estabelece fortes pontos de contato com a realidade atual”.

Inédito no Brasil, Sua Excelência, de Corpo Presente foi finalista do Prêmio Oceanos no ano passado. O livro retrata um ditador africano que jaz morto num caixão - mas é capaz de ver e ouvir o que acontece em seu velório e se põe a recordar sua vida e a avaliar os presentes e possíveis sucessores.

O Prêmio Correntes D’Escritas premia um livro de poemas em um ano e no outro um de prosa. Entre os finalistas deste anos estavam nomes como Leonardo Padura (A Transparência do Tempo), Lídia Jorge (Estuário), Mia Couto (Bebedor de Horizontes) e Kalaf Epalanga (Também os Brancos Sabem Dançar).

Já venceram a premiação, entre outros escritores que publicaram livros em Portugal, portugueses ou não, Lídia Jorge, Carlos Ruiz Zafón, Hélia Correia, Javier Cercas, Ana Luísa Amaral e o brasileiro Rubem Fonseca que, recluso, participou do festival em 2012.

Um dos principais nomes da literatura africana, Pepetela é bastante estudado nas universidades brasileiras e de alguns anos para cá seu romance Mayombe, de 1980, se tornou leitura obrigatória em alguns vestibulares. O último livro de Pepetela publicado no Brasil, que veio para encontros com leitores e pesquisadores, foi O Quase Fim do Mundo, lançado originalmente em 2008.

Quem é Pepetela

Pepetela nasceu Artur Carlos Mauricio Pestana dos Santos, em Benguela, em 1941. Começou a faculdade em Lisboa, se exilou em Paris em 1962 e partiu para a Argélia seis meses depois - lá, ele se formou em Sociologia e trabalhou na representação do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) e no Centro de Estudos Angolanos, que ajudou a criar. Em 1969, aderiu à luta de libertação angolana, em Cabinda, quando adotou o nome de guerra Pepetela, e onde foi guerrilheiro e também responsável no setor da educação. Em 1972, foi transferido para a Frente Leste de Angola, onde desempenhou a mesma atividade até ao acordo de paz de 1974 com o governo português.

Em 1975, até a independência de Angola, foi membro do Estado Maior da Frente Centro das FAPLA (Forças Armadas Populares de Libertação de Angola) e participou na fundação da União de Escritores Angolanos. De 1976 a 1982, foi vice-ministro da Educação. A partir daí, exerceu funções na universidade e em instituições de literatura e cultura.

 

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