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Paulo Coelho e Milton Hatoum na lista dos autores que estarão no Salão do Livro de Paris

País levará 48 escritores, ilustradores e dramaturgos para o evento

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2014 | 10h23

Atualizado às 18h

Paulo Coelho, Nélida Piñon, Luiz Ruffato, Leonardo Boff, Patrícia Melo e o colunista do Estado Milton Hatoum estão entre os 48 autores escolhidos pelo Brasil para o Salão do Livro de Paris, a ser realizado entre 20 e 23 de março e que terá o País como convidado de honra. A lista foi apresentada simultaneamente, ontem, em São Paulo e Paris. O investimento será de R$ 4 milhões – dos quais R$ 3 milhões via Lei Rouanet e R$ 1 milhão do Ministério da Cultura.

Como o evento é aberto ao público, um dos requisitos da escolha era ter ao menos um livro publicado na França – ou em produção. Entre os selecionados, Coelho, com 16, e Boff, com 10, são os autores mais traduzidos. Dois escritores, no entanto, ainda não estão nas livrarias francesas: Daniel Munduruku e Sérgio Roveri. 

Na lista, três nomes chamam a atenção: Fernando Morais, cotado para o Ministério da Cultura; Luiz Ruffato, que fez o histórico e polêmico discurso de abertura da Feira do Livro de Frankfurt em 2013; e o pajé Davi Kopenawa, que tem uma visão crítica da atual política indígena.

No início, essa lista seria composta por 30 autores, depois ela foi ampliada para 45. E foi ampliada novamente - agora, com os três imortais que a Academia Brasileira de Letras vai levar: Nélida Piñon, Ana Maria Machado e Antônio Torres.

Entre os outros critérios adotados pela comissão organizadora estão o equilíbrio entre autores já consagrados e outros em início de carreira, abrangência de diversos gêneros literários, oportunidade igual para homens e mulheres e produções com diversidades étnicas e culturais das várias regiões do País. A curadoria é de Guiomar de Grammont, idealizadora do Fórum das Letras de Ouro Preto, e de Leonardo Tonus, professor na Universidade de Sorbonne. Foi criado, ainda, um comitê com 24 profissionais de diferentes entidades do livros e dos ministérios da Cultura e das Relações Exteriores, além de representantes da França.

Na Feira de Frankfurt de 2013, que teve o Brasil como país homenageado e da qual participaram 70 autores brasileiros, falou-se muito em “cota do índio e cota do negro”. Ana Cristina Wanzeler, ministra interina da Cultura, evitou o termo agora. “O que se busca é promover o equilíbrio dessa diversidade. Quando falamos em equilíbrio de gênero, é evidente que ainda temos mais 60% de homens, mas destaco o avanço. A mesma coisa acontece com os escritores. Não há muitos autores indígenas consagrados e esperamos que com esse tipo de incentivo eles apareçam cada vez mais”, disse. Daniel Munduruku, apesar de não estar traduzido para o francês, já teve suas obras publicadas em outros idiomas, como o coreano e o italiano. Davi Kopenawa escreveu, com o antropólogo francês Bruce Albert, A Queda do Céu: Palavras de Um Xamã Yanomami, disponível em francês e português.

"A política do livro é um dos braços fortes do Ministério da Cultura porque por meio dele mostramos nossa diversidade cultural. E com a literatura podemos trabalhar nossa diversidade de gênero, nossa diversidade étnica e regional. Desmembrando, atingimos a política das minorias. E isso foi buscado na escolha dos nossos autores", completou a ministra.

Em Paris, Vincent Monadé, presidente do Centro Nacional do Livro, disse que a lista simboliza “um panorama completo de uma literatura imensa e rica que é a brasileira”, mas que ainda “não é suficientemente traduzida, compartilhada e lida na França”. Já o embaixador do Brasil, José Maurício Bustani, disse que o país é o único que está recebendo a homenagem pela segunda vez. Ele destacou a continuação do projeto. “Daqui a 2020, US$ 35 milhões serão investidos na tradução de novas obras e na reedição de títulos brasileiros no exterior.”

Para os autores, o salão é uma janela para buscar mais visibilidade no exterior, em um mercado europeu no qual as indústrias culturais têm um peso impressionante: € 75 bilhões em receita só na França e € 636 bilhões em toda a Europa, segundo números evocados por Vincent Montagne, presidente do Salão do Livro de Paris. 

No local dedicado ao país homenageado, de 500 m², haverá um auditório para debates e leituras, uma unidade da Fnac que vai vender livros brasileiros em português e francês, uma exposição, ainda a ser definida, e espaço para rodadas de negócios.

A homenagem surgiu dentro de um conceito mais amplo, de um acordo de cooperação entre os governos do Brasil e da França em várias áreas e que incluía a participação no Salão do Livro de Paris. No espaço dedicado ao país homenageado, de 500 m2, haverá um auditório para debates e leituras, uma unidade da Fnac que vai vender livros brasileiros em português e em francês, uma exposição, ainda não definida, para mostrar um pouco do Brasil e espaço para rodadas de negócios.

Para Fabiano dos Santos Piúba, diretor do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do MinC, o Salão do Livro de Paris é um espaço de grande repercussão, mídia e impacto, sobretudo, na França - embora reverbere na Europa como um todo. "É um espaço privilegiado para a difusão da literatura, mas a nossa participação não pode se reduzir apenas ao evento. Programas como o de bolsa de tradução e de intercâmbio da Fundação Biblioteca Nacional e o de intercâmbio da Secretaria de Economia Criativa devem ser instrumentos para que possamos fazer essa transição para além do Salão. Frankfurt e Bolonha têm sido exemplos nesse sentido. Falta apostar mais na Feira do Livro de Guadalajara", avalia Piúba.

Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro, destacou o trabalho do projeto Brazilian Publishers, uma parceria entre CBL e Apex-Brasil. Em 2013, editoras integrantes do projeto negociaram, no exterior, US$ 3 milhões em venda de direitos e de livros. Hoje, ela contou, há 65 editoras preparadas para atuar no mercado internacional de livro.

A programação brasileira não ficará restrita aos dias no evento e já terá início nesta sexta-feira, dia 12, com um colóquio na Embaixada do Brasil em Paris. O tema que será debatido por profissionais franceses e brasileiros, como Laura de Mello e Souza, Italo Moriconi, Mansur Bassit, Susanna Florissi e Guiomar de Grammont, será o impacto do e-book na edição de livros de Ciências Sociais. E mesmo durante o festival, outros eventos devem ser organizados em diferentes locais da cidade.

COLABOROU ANDREI NETTO/PARIS

Confira a lista completa dos autores:

Adauto Novaes

Adriana Lunardi

Adriana Lisboa

Affonso Romano de Sant'Anna

Alberto Mussa

Ana Maria Machado

Ana Miranda

Ana Paula Maia

Angela-Lago

Antônio Torres

Bernardo Carvalho

Betty Milan

Betty Mindlin

Bosco Brasil

Carola Saavedra

Conceição Evaristo

Cristovao Tezza

Daniel Galera

Daniel Munduruku

Davi Kopenawa

Edney Silvestre

Edyr Augusto

Fabio Moon

Fernanda Torres

Fernando Morais

Ferréz

João Anzanello Carrascoza

Leonardo Boff

Lu Menezes

Luiz Ruffato

Lobo

Marcelino Freire

Marcello Quintanilha

Marina Colasanti

Michel Laub

Milton Hatoum

Nélida Piñon

Paloma Vidal

Patricia Melo

Paulo Coelho

Paulo Lins

Ricardo Aleixo

Rodrigo Ciriaco

Roger Mello

Ronaldo Correia de Brito

Sérgio Rodrigues

Sergio Roveri

Tatiana Salem Levy

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