Rafael Medeiros/Divulgação
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Escritora moçambicana Paulina Chiziane é vencedora do Prêmio Camões de 2021

Seus livros se destacam pelo protagonismo feminino; autora também participou de movimentos pela liberdade de Moçambique

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2021 | 13h27
Atualizado 20 de outubro de 2021 | 14h21

A escritora moçambicana Paulina Chiziane é a vencedora do 33º Prêmio Luís de Camões. O anúncio foi feito no início da tarde desta quarta-feira, 20. Suas obras se destacam pelo protagonismo feminino e o seu livro mais conhecido é Niketche: uma história de poligamia, publicado pela primeira vez em 2002. 

Paulina foi a escolhida por uma comissão julgadora composta de seis membros (sendo dois de Portugal, dois do Brasil e dois representantes do PALOPS - países africanos de língua oficial portuguesa), que se reuniram no final da manhã desta quarta para anunciar o resultado. 

Os dois jurados brasileiros presentes na comissão foram Jorge Alves de Lima e Raul Cesar Gouveia Fernandes. Além deles, este ano, fazem parte da comissão:  Carlos Mendes de Souza, Ana Maria Martinho, pela parte portuguesa; escritor Tony Tcheka (Guiné-Bissau) e Teresa Manjate (Moçambique) pela parte dos países africanos de língua portuguesa.

A história da escritora se mistura com a história de seu país de origem. Paulina nasceu em Manjacaze, uma vila rural do país, mas aos seis anos mudou-se para Maputo, capital de Moçambique. Tendo crescido em uma família protestante, participou ativamente de movimentos pela libertação do país de Portugal, de quem era colônia até 1975. A autora fez parte da Frente de Libertação de Moçambique, a Frelimo, responsável pela luta por independência.

Seu primeiro romance foi publicado em 1990, Balada de Amor ao Vento, mas foi com Niketche que ela atingiu o sucesso. O livro chegou a ganhar o Prêmio José Craveirinha, da Associação dos Escritores Moçambicanos. O último livro publicado por Paulina chama-se O Canto dos Escravizados, lançado em 2017.

No ano passado, o Prêmio Camões foi atribuído ao acadêmico português Vítor Manuel Aguiar e Silva, que coordenou o Dicionário de Luís de Camões. E, em 2019, o eleito foi Chico Buarque, decisão que irritou o presidente Jair Bolsonaro, que não assinou o diploma de atribuição. À essa reação, Chico disse que via a ausência dessa assinatura como "um segundo Camões".

Criado em 1988, o Prêmio Camões elege a cada ano, pelo conjunto da obra, um escritor de países onde o português é a língua oficial. Atribuído desde 1989, é considerado o principal prêmio literário da língua portuguesa no mundo.

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