Jonas Ekstromer/TT News Agency via AP, File
Jonas Ekstromer/TT News Agency via AP, File

Patti Smith fala sobre sua apresentação na cerimônia do Nobel em artigo comovente

Cantora e compositora escreveu um pequeno ensaio sobre a histórica performance da música 'A Hard Rain's A-Gonna Fall', de Bob Dylan, no dia 10 de dezembro

Sandy Cohen, AP

15 Dezembro 2016 | 10h34

LOS ANGELES - Patti Smith diz que quando "tropeçou" nas letras da canção de Bob Dylan durante a cerimônia do Prêmio Nobel no último sábado, 10, foi porque ela estava dominada por completo pela enormidade da experiência, e não porque havia esquecido os versos de A Hard Rain's A-Gonna Fall.

Smith escreveu em um ensaio publicado na quarta-feira, 14, na The New Yorker, que depois de amar a canção desde que era adolescente e ensaiar incessantemente nos meses e dias antes da apresentação, a letra "era agora uma parte de mim".

"Eu não tinha esquecido as letras que eram agora uma parte de mim", escreveu. "Eu estava simplesmente incapaz de colocá-las para fora."

A cantora e compositora explica que havia escolhido uma de suas próprias canções quando foi convidada pelo comitê do Nobel em setembro. Mas quando Dylan foi anunciado e aceitou, ela priorizou uma música dele.

Smith escreveu que na manhã da cerimônia "pensei na minha mãe, que comprou meu primeiro disco de Dylan quando eu mal tinha dezesseis anos".

"Me ocorreu então que, apesar de eu não ter vivido na mesma época que Arthur Rimbaud, eu existi na mesma época que Bob Dylan", escreveu Smith. "Eu também pensei no meu marido (Fred Sonic Smith, morto em 1994) e lembrei nós dois cantando a música juntos, imaginando suas mãos formando os acordes."

Smith parou de repente de cantar durante a performance no Concert Hall de Estocolmo no sábado, e pediu para a orquestra começar de novo. "Desculpe. Sinto muito, estou muito nervosa", ela disse na ocasião, para aplausos da plateia.

No ensaio cândido e poético publicado na quarta-feira, ela disse que convidados da cerimônia a receberam muito bem e lhe disseram que a performance "pareceu uma metáfora para as nossas próprias dificuldades". Ela disse que a experiência a fez "chegar a um acordo com a verdadeira natureza do meu dever".

"Por que nós entregamos nosso trabalhos? Por que nós nos apresentamos ao vivo?", ela escreveu. "É sobretudo para o entretenimento e transformação das pessoas. É tudo para eles. A canção não pede por nada. O criador da canção não pediu por nada. Então por que eu devo pedir por alguma coisa?"

Veja a performance:

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.