Parentes e amigos se despedem do escritor João Ubaldo Ribeiro

Corpo será enterrado no Mausoléu da ABL, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro

Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

19 de julho de 2014 | 09h42

RIO - Foi enterrado pouco antes das 10 horas da manhã deste sábado no cemitério São João Batista, no Rio, o escritor baiano João Ubaldo Ribeiro. Aos 73 anos, ele morreu em casa na madrugada de sexta-feira (18), vítima de uma embolia pulmonar. O corpo do autor de clássicos como Sargento Getúlio e Viva o Povo Brasileiro foi sepultado no mausoléu da Academia Brasileira de Letras (ABL), em que ocupava a cadeira 34 desde 1993.  

Ao chegar ao cemitério, o filho Bento Ribeiro, ator e apresentador, contou que o livro que o pai deixou inacabado seria um apanhado de histórias ou crônicas do Leblon, bairro que o escritor adotou no Rio. “Não li nada. Quem lia as obras dele antes de ficarem prontas era a minha mãe. Comigo ele só comentou que estava mudando o narrador para escrever de um jeito mais baiano”, contou. João Ubaldo foi enterrado com o fardão da ABL mas, por baixo dela, levava uma camiseta com o nome de Itaparica, “seu xodó” segundo a secretária particular Vania. Uma camisa do bloco de carnaval Areia, que desfila no Leblon, foi colocada sobre o caixão do romancista. A tradicional Padaria Rio Lisboa e o Bar Tio Sam também prestaram homenagem ao frequentador ilustre mandando coroas de flores. 

A despedida ao baiano da Ilha de Itaparica começou às 8h na ABL, onde estava sendo velado desde ontem no Salão dos Poetas Românticos. Uma cerimônia religiosa foi seguida por uma homenagem dos colegas da ABL. A bandeira da ABL ficará hasteada a meio mastro em sinal de luto pela morte do escritor.  

Familiares e amigos de Ubaldo estavam muito emocionados. O escritor deixa a mulher, a psicanalista Berenice Batella Ribeiro, e quatro filhos: o apresentador Bento Ribeiro, Francisca, que morava com o pai; e Emilia, vinda de Salvador, e Manuela, que chegou na madrugada de hoje de Munique, na Alemanha, onde mora, para o enterro (ambas fruto de seu primeiro casamento). 

O romancista vivia no Rio de Janeiro desde a década de 70.  Na madrugada de sexta-feira, João Ubaldo se sentiu mal por volta das 3h da manhã em sua casa, no Leblon. Ele pediu socorro à mulher, que chamou os paramédicos, mas quando estes chegaram já era tarde. 

Ao longo de sua carreira João Ubaldo Ribeiro recebeu reconhecimento com o Prêmio Camões - o mais importante para autores da língua portuguesa - e o Jabuti, pelo livro Viva o Povo Brasileiro. Também teve obras adaptadas para a televisão (O Sorriso do Lagarto) e teatro (A Casa dos Budas Ditosos). Sua última obra publicada foi O Albatroz Azul, de 2009. Também era cronista do Estado e de O Globo.

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