FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Para autores, prêmio ajuda publicação em outros países

O português Gastão Cruz, autor da melhor obra de poesia, espera que o troféu contribua para que seus títulos cheguem ao Brasil

Roberta Pennafort , O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2014 | 18h25

RIO - Vencedor do Grande Prêmio Portugal Telecom de Literatura, o jornalista mineiro Sérgio Rodrigues, autor do melhor romance do ano de 2013, na avaliação dos jurados, conta com a láurea para que seus livros sejam publicados em Portugal. Já o português Gastão Cruz, ganhador na categoria poesia, espera que agora passe a ser mais divulgado no Brasil. Em sua 12.ª edição, a premiação, que concedeu R$ 50 mil em cada categoria e foi realizada na segunda-feira, no Rio, é uma das mais prestigiosas do mundo lusófono.

“A gente está vivendo um momento muito rico da literatura brasileira e prêmios como esse são importantes nesse cenário”, acredita Rodrigues, agradecendo pelo troféu dado a O Drible (Companhia das Letras). “A literatura brasileira é um segredo nosso, mas está sendo mais traduzida. Estive na feira de Guadalajara e é emocionante ver o Brasil se fazer conhecer”, disse ele.

Depois da cerimônia, ele comentou a trajetória internacional de O Drible, um drama familiar atravessado pela temática do futebol. “Foi publicado em espanhol e dinamarquês e vai sair em francês. Rompeu as fronteiras brasileiras, mas a Portugal não chegou”, contou.

Rodrigues acha que o tratamento dado ao futebol como matéria literária pode estar mudando. “Existe preconceito de certos intelectuais e, por outro lado, de outros há uma reverência excessiva. É um tema cultural importante no Brasil, e que tem aparecido na literatura contemporânea, no Michel Laub, no André Santoro.”

Observação do Verão Seguido de Fogo (Móbile Editorial), que deu o troféu ao poeta Gastão Cruz, é a junção de dois livros, lançados separadamente em sua terra, e com dinâmicas distintas. A reunião foi sugestão da editora brasileira e ele a considerou pertinente. 

“Espero que o prêmio contribua para a divulgação do livro no Brasil. A poesia chama o leitor para que se concentre nos grandes temas, as reflexões existenciais”, comenta. 

Cruz, em atividade já há seis décadas, ganhou seu primeiro prêmio fora de Portugal. Ele o compartilhou com seus colegas de geração. “Eu vejo esse prêmio como uma atenção especial dada à poesia portuguesa. Tendo eu começado a publicar no remoto ano de 1961, a minha poesia surgiu num momento de importância na poesia portuguesa que são aquelas décadas em que ela conseguiu se superar depois daquele fenômeno extraordinário (a divulgação post morten da obra de Fernando Pessoa). Surgiram Sophia de Mello Breyer, Eugénio de Andrade, Pais Brandão... É a essa grande poesia que me sinto ligado. Pessoa poderia ter secado a poesia portuguesa, mas isso não aconteceu”.

Dizendo-se “mais poeta do que contista”, o escritor cearense radicado em Recife Everardo Nordões, autor do livro de contos Entre Moscas, estava surpreso com a vitória: “Acho estranho que meu livro tenha sido escolhido. Saiu por uma editora pequena (Confraria do Verbo)... Não dou importância ao reconhecimento como autor. É um trabalho como o do pedreiro, do ferreiro. O que deve ser reconhecido é o livro”.

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