REUTERS/Suzanne Plunkett
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'Os Anos de Austen' é um livro de memórias híbrido, que funde crítica literária com história pessoal

Rachel Cohen explora a própria experiência em 'memória em cinco romances', e inclui sinopses dos livros para ajudar os leitores que não estão familiarizados com esta leitura

Marion Winik, Washington Post

31 de julho de 2020 | 11h00

Será que vocês deveriam ler a cuidadosa  “memória em cinco romances” de Rachel Cohen, Os Anos de Austen, se não estiverem plenamente informadas a respeito da sua Austen? Como eu acabo de fazê-lo, desejaria não ter lido, portanto, aconselho os leitores a ler pelo menos quatro, quando não todos os seis romances de Jane Austen, antes de abordar a extensa meditação de Rachel Cohen sobre essas obras, e a não tentarem escapar das versões cinematográficas.



Se vocês me desobedecerem, o fundamental que irão retirar do livro de Rachel será que devem ler toda Jane Austen o mais cedo possível. Eu li somente Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade, há muito tempo, e como Cohen em seu primeiros anos de jejum de romances, não gostei exatamente deles. Não posso dizer, como afirma Ta-Nehisi Coates, citado aqui, que  “O meu ‘Orgulho e Preconceito’ é realmente meu”. Cohen prossegue explicando. “Depois de conhecer mais a respeito do que Austen significou e significa para os outros, me dei conta de quem eu havia sido, lendo suas páginas”.

Muito bem, estou convencida. Quero!

Entre a miríade de apaixonados leitores de Austen, que aparentemente produzem todos os anos dezenas de novos livros sobre a autora, Cohen ocupa um lugar especial. Ela leu única e exclusivamente Austen anos a fio. “É provável”, ela relata, "que eu tenha lido algumas cenas da educação de Emma uma centena de vezes”. Ela encontrou um modelo de comportamento em Virginia Woolf, que não só leu Austen, mas viveu intelectualmente através dela, escrevendo a seu respeito em “cartas, diários, ensaios, em seu primeiro romance. Algumas noites ela mergulhava em Austen, outras vezes, a lia em fragmentos, ‘duas palavras de cada vez’”.

Como The Lonely City, de Olivia Laing, e The Trip to Echo Spring e The Recovering de Leslie Jamison, Os Anos de Austen é um livro de memórias híbrido, que funde a crítica literária com a história pessoal, incluindo sinopses dos romances para ajudar os leitores que não estão familiarizados com esta leitura. Como isto não funciona particularmente aqui, a pergunta é o que mais ela oferece, além do comercial mais convincente de Austen jamais criado?

Rachel Cohen escreve com emoção e profundidade sobre seu pai e a morte dele, e inclui os inusitados bastidores do seu casamento (Austeniano, como vemos), cenas da maternidade e da vida familiar. Para o meu gosto, o pai ocupa um espaço um pouco demasiado e todo o resto um espaço reduzido demais. Por exemplo, eu me demorei neste trecho, desejando saber mais a respeito da jovem complicada que cometeu o crime descrito, a mesma que lê todos os romances de Austen e mal podemos lembrar deles depois.

“Eu era uma criança solitária, que gostava de ler, e em geral tinha uma amiga a cada ano, uma amiga que os pais visitavam na universidade chegando de algum outro lugar, um lugar para o qual ela retornaria no fim daquele ano, e talvez me enviasse uma carta ou duas à(s) qual(is) eu jamais responderia, mas guardaria, com uma sensação de culpa, em uma espécie de tenazes, sabendo que deveria escrever e não escrevia, nas gavetas da minha escrivaninha de muitas gavetinhas”.

Uma confissão interessante. Posso quase a ver todo um romance nisso. Mas Emma e Elinor e Elizabeth e Marianne, e evidentemente Jane, são os personagens centrais deste livro. Rachel é o elenco coadjuvante. Pretendo voltar a seu Anos de Austen depois de incluir os meus.



'Os Anos de Jane Austen: Uma memória em cinco romances'

por Rachel Cohen

Farrar, Srauss and Giroux. 288 págs.US$ 28


TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

 

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