Stepha Dansky Photography
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‘O Palácio de Papel’: Miranda Cowley Heller fala de seu primeiro romance

Inédito no Brasil, livro sobre os dilemas de uma mulher aos 50 estará na caixa de novembro do intrínsecos, clube de assinatura da editora Intrínseca

Daniel Silveira, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2021 | 05h00

Ano após ano, tudo pode parecer diferente para Elle, exceto Cape Cod, famoso destino de verão dos Estados Unidos. “É meu lugar”, ela repete algumas vezes ao longo de O Palácio de Papel, primeiro romance de Miranda Cowley Heller, que estará na caixa de novembro do intrínsecos, o clube de assinatura da editora Intrínseca. O livro visita a história de Eleanor Bishop, enquanto ela precisa tomar uma importante decisão: escolher entre o amor da juventude ou seu marido. 

Logo no início, somos apresentados à protagonista e seu dilema: ela transou com o melhor amigo, Jonas, durante um jantar em sua casa. Essa revelação chega quase como uma confissão. Iniciam-se, então, as 24 horas em que o livro acontece e mergulhamos em uma história de culpa e dúvida.

Na obra, passado e presente vão e voltam, se intercalando entre as páginas. “Mas não são flashbacks”, pontua a autora em uma entrevista por vídeo ao Estadão. Segundo ela, essas amostras de passado só explicam os motivos que fizeram com que a protagonista tomasse as escolhas que tomou. “É o que mais importa”, diz. Pode-se pensar que O Palácio de Papel é sobre a escolha de Eleanor, mas conhecer sua história, seus traumas e seus segredos é o caminho para entender a protagonista. “Quando tomamos conhecimento da jornada de Elle, a gente não aprende apenas quem ela é, mas quais momentos de sua vida fizeram com que ela fosse desse jeito.” 

Fortaleza feminina

O Palácio de Papel traz personagens femininos extremamente fortes. Mais que isso, o livro traz uma mulher madura na faixa dos 50 anos como personagem central e usa um tom realista para suas vivências. “Acho importante contar a história de uma mulher aos 50, com um romance, que faz um bom sexo. É muito parecido ao que uma mulher madura é”, comenta Miranda, de 59 anos. 

Algumas cenas em O Palácio de Papel não são tão doces. “Queria que o romance fosse bonito mas também feio, tinha que ser verdadeiro”, diz a escritora. Também há inverno na história que, em grande parte, acontece em um destino de verão. Em um momento, por exemplo, Elle e a irmã se isolam na casa de praia para uma conversa sobre uma doença que Anna descobriu ter. O frio é tão presente que é como se fosse um personagem. 

Outra riqueza do livro é a forma como os detalhes aparecem. A autora mostra sempre uma visão clara dos lugares onde as coisas acontecem. Um caminhar sentindo “agulhas de pinheiros nos pés descalços”, descrição de um ambiente da casa e cheiros experimentados ajudam a entender como a personagem vivencia cada momento. Além dos diálogos bem feitos, o que Miranda diz ter aprendido durante sua passagem pela HBO, quando trabalhou na supervisão de séries como The Sopranos e The Wire. O canal comprou os direitos de adaptação do livro, que deve virar uma minissérie, em que Miranda participa do roteiro.

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