Kieran Doherty/Reuters
Kieran Doherty/Reuters

O escritor Frederick Forsyth confessa que foi espião do serviço de inteligência britânico

Autor de 'O Dia do Chacal' fez a revelação em trechos de sua autobiografia publicados neste domingo, 30

AFP

30 de agosto de 2015 | 21h56

LONDRES - O escritor britânico Frederick Forsyth revelou em trechos de sua autobiografia publicados neste domingo, 30, pelo Sunday Times, ter cumprido missões para o MI6, o serviço de inteligência britânico. Forsyth, autor de O Dia do Chacal, afirmou ter trabalhado por mais de 20 anos para o MI6 na então República do Biafra, Nigéria, Alemanha Oriental, Rodésia e África do Sul.

O novelista conta que, em 1968, um membro do MI6 chamado "Ronnie" o contactou, enquanto trabalhava como jornalista freelancer, à procura de um agente infiltrado no coração do enclave nigeriano de Biafra", onde aconteceu uma guerra civil entre 1967 e 1970. "Quando voltei da floresta tropical, ele ganhou um", escreveu Forsyth, de 77 anos, em suas memórias intituladas The Outsider, que serão publicadas mês que vem.

Durante sua estadia em Biafra, o escritor escreveu artigos sobre a situação humanitária e militar do país enquanto enviava informações a 'Ronnie' "que, por diversos motivos, não poderiam sair nos jornais".

Então, em 1973, ele foi convidado a realizar uma missão para o MI6 na Alemanha Oriental comunista.

"Sua proposta era fácil. Havia um infiltrado, um coronel russo, que trabalhava para nós no extremo leste da Alemanha e que tinha um pacote que precisava sair do país", conta.

Forsyth viajou até Dresde em um Triumph conversível e recebeu o pacote das mãos do coronel russo no banheiro do museu Albertinum. Na Rodésia, hoje Zimbábue, foi convidado a analisar as intenções do governo durante os anos 1970.

Nos anos 1980, foi encarregado de descobrir o que pretendia fazer o governo sul-africano com suas armas nucleares após o fim do apartheid com a chegada do Congresso Nacional Africano ao poder.

O escritor descreve, além disso, que recebeu ajuda de vários membros da organização na busca de informações necessárias para redigir seus livros. Forsyth, que escreveu 20 novelas e vendeu mais de 70 milhões de exemplares no mundo todo, já tinha reconhecido que financiou uma tentativa de golpe de Estado na Guiné Equatorial em 1973.

Em O Dia do Chacal, descreveu uma tentativa de golpe de Estado em um país africano fictício.

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