Novo livro salva Rushdie de 'desastre' em sua vida particular

O escritor britânico Salman Rushdie dizque o fato de escrever um novo romance o salvou do "desastre"de seu divórcio de sua quarta mulher, Padma Lakshmi, no anopassado. "The Enchantress of Florence", seu décimo romance, é umahistória que se passa nos séculos 15 e 16, sobre intrigas decortes na Florença e em Fatehpur Sikri, capital do impériomogol. A nova obra marca o retorno ao realismo mágico que é amarca registrada de Rushdie. "Foi um bom lugar para ir quando minha vida privada estavadestruída, e acho que foi um refúgio, de certo modo", disseRushdie à Reuters em entrevista. "No final, acho que o que me fez conseguir superar tudo foia longa familiaridade da disciplina necessária para se escreverum romance." Rushdie é conhecido sobretudo por "Os Versos Satânicos", de1988, que provocou a ira de muçulmanos e o obrigou a viver naclandestinidade, depois de o então líder religioso supremo doIrã lançar um edito condenando-o à morte. Ele anunciou seu divórcio de Lakshmi em 2007, pondo fim aum casamento que durara três anos. "Descobri que o hábito de toda uma vida de ir à minha mesa,passar o dia trabalhando e não me permitir divagar foi o que meajudou a recuperar." "Passei algum tempo fora dos trilhos. Fiquei mal, eescrever me trouxe de volta." O conto de duas cidades criado por Rushdie gira em torno depersonagens verídicos, como o grande imperador mogol Akbar e ofilósofo italiano Nicolau Maquiavel, além da misteriosa beldadeQara Koz, que encanta os homens que a vêem. Publicado pela Random House, o livro dividiu a crítica. OThe Guardian o considerou "magnífico", enquanto o Sunday Timesdisse que é "a pior coisa que Rushdie já escreveu". A intenção original do autor de 60 anos era ambientar ahistória inteiramente na Europa, mas ele acabou por dividir anarrativa entre duas grandes civilizações que mal sabiam daexistência uma da outra. "Acabei escrevendo um livro que eu não pensara emescrever", disse Rushdie. "Eu pensara em escrever um livrosobre as diferenças, mas me descobri escrevendo um sobre assemelhanças." PARALELOS ATUAIS Rushdie diz que os paralelos com os dias de hoje sãoclaros: os humanos são iguais em toda parte, mas frequentementenão o percebem e por isso acabam falando do choque de culturase religiões. "Mesmo hoje, olhando para como todos estamos noscomportando, percebe-se que não somos tão diferentes assim. Oproblema é que nos vemos como o outro do outro, quando, narealidade, somos a imagem espelhada do outro." Em "Enchantress", Akbar exemplifica a tolerância religiosae social e é defensor da liberdade de pensamento e expressão,uma postura criticada por muitos na época. Mas, apesar do exemplo de Akbar e da crença de Rushdie naidéia de que a natureza humana é universal, o autor épessimista em relação ao futuro. "Seria difícil ser otimista", disse ele. "Há uma ruptura profunda em nossa capacidade de descrever omundo do mesmo modo. Quando isso acontece, torna-se muitodifícil concordar em relação a qualquer outra coisa."

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