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Nicholas Sparks é acusado de racismo, homofobia e antissemitismo

Ex-diretor de escola fundada pelo escritor entrou com ação legal contra o americano

AP

03 de outubro de 2014 | 11h52


RAILEGH (EUA) - O ex-diretor de uma escola privada fundada pelo escritor Nicholas Sparks diz que o autor e outros líderes do estabelecimento o expulsaram quando ele tentou angariar estudantes e professores negros e dar apoio a um grupo de alunos gays que sofriam bullying. Nesta quinta-feira, 2, entrou com um processo legal por danos.

Na ação, Saul Hillel Benjamin acusa Sparks de fazer discriminação racial e religiosa enquanto ele era diretor da escola em Nova Bern, a 160 quilômetros de Raleigh.

Sparks é um autor prolífico de romances de histórias de amor, regularmente levados ao cinema por Hollywood, entre eles, Diário de uma Paixão e Querido John. A adaptação de O Melhor de Mim está prevista para estrear nos EUA ainda este mês.

O processo de Benjamin busca indenizações e medidas punitivas contra Sparks, três outros membros da diretoria e a Fundação Nicholas Sparks.

“Aparentemente, apesar dos esforços da nossa sociedade, o senhor Sparks quer viajar de volta no tempo e vilipendiar aqueles que promovem a diversidade e a tolerância para todas as pessoas, não importando sua orientação sexual e raça”, disse Douglas H. Wigdor, advogado de Benjamin.

Uma advogada de Sparks, Theresa Sprain, negou as alegações.

“Como um homem gay e judeu que representa Nick por quase 20 anos eu considero essas alegações completamente ridículas e ofensivas”, disse outro advogado de Sparks, Scott Schwimer, em um comunicado.

De acordo com o processo, quando Benjamin tentou recrutar estudantes e professores negros, Sparks disse a ele que a “diversidade não deve ser medida por percentagens de estudantes de minoria admitidos ou professores de minorias empregados”.

Benjamin diz que Sparks e membros conservadores e cristãos da diretoria da escola questionaram sua religião (ele é judeu) e suas crenças Quaker. Durante um encontro, “Sparks insistiu para o senhor Benjamin parar de falar sobre o Islã, Judaísmo, ou qualquer outra religião não-Cristã” durante suas funções na escola. “Isso não é o que os pais querem ouvir”, disse Sparks, segundo o processo.

O escritor também criticou Benjamin por ter ido a um evento de um grupo que luta por direitos civis, diz a ação judicial. Benjamin afirmou que esteve presente para se apresentar a pais negros cujos filhos poderiam tentar entrar na escola e dar-lhes boas vindas.

Sparks “indicou que o senhor Benjamin deveria utilizar meios menos públicos e visíveis se ele procurou se encontrar com afro-americanos”, afirma o processo.

Conselheiros da escola pressionaram Benjamin a parar de dar suporte a estudantes que sofreram bullying depois de formar um clube em que discutiam suas identidades sexuais, continua o processo. Um deles disse que Benjamin estava “promovendo uma cultura e agenda homossexuais”.

A ação ainda acusa Sparks de ter trancado o ex-diretor em uma sala e gritado com ele - o episódio só acabou depois que Benjamin escreveu uma carta de demissão.

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