REUTERS/Mario Anzuoni
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Natalie Portman adapta fábulas conhecidas para torná-las mais inclusivas em termos de gênero

Vencedora do Oscar de melhor atriz e mãe de duas crianças, ela se torna escritora infantil ao lançar ‘Natalie Portman’s Fables’

Alicia Rancilio, ASSOCIATED PRESS

23 de outubro de 2020 | 18h55

NOVA YORK - Natalie Portman, aos 39 anos, está colocando seu corpo à prova para atuar como uma lutadora no próximo filme da Marvel. Natalie prepara-se para filmar Thor: Love and Thunder, em Sydney, na Austrália, treinando duro após uma pausa de meses por causa da pandemia em sua dieta e regime de exercícios.

“Foi um momento de total liberdade. Não fiz nenhum exercício, comi todos os alimentos que eu precisava e queria”, disse ela, rindo e reconhecendo que está “muito cansada” de acordar cedo para o programa de exercícios atual. Natalie, que ganhou o Oscar de melhor atriz em 2011, por sua atuação em Cisne Negro, disse reconhecer que tem sorte por seu trabalho a manter responsável, “então não tenho escolha a não ser permanecer forte e determinada”.



Como tantas outras, ela também é uma mãe ocupada que cuida das atividades escolares e da socialização do filho de 9 anos e da filha de 3 anos durante a pandemia. Ela pausa a entrevista para colocar o celular no modo silencioso, pois o som das notificações não para, porque seu filho está em uma conversa sem fim por mensagens de texto com os colegas de classe.

A maternidade é o que torna seu projeto mais recente, Natalie Portman’s Fables (Fábulas de Natalie Portman, em tradução livre), tão importante para ela. Natalie adaptou três histórias infantis clássicas - A Lebre e a Tartaruga, Os Três Porquinhos e Country Mouse and City Mouse (O rato do campo e o rato da cidade, em tradução livre) - para torná-las mais inclusivas em termos de gênero.

Em sua versão, a tartaruga persistente e confiante, que discretamente supera a lebre, é uma fêmea. “Isso é quase uma mensagem para mim mesma”, disse Natalie. “Preste atenção e vá devagar.”

“Os livros infantis têm um lugar muito especial em nossas vidas porque os lemos repetidamente como nenhum outro livro”, disse. “Eles têm uma maneira de incutir informações e valores nos filhos e nos pais. E quando eu estava lendo os livros, fiquei impressionada ao ver como as histórias clássicas tinham personagens predominantemente masculinos e fiquei pensando: ‘O que estou dizendo aos meus filhos - tanto ao meu filho quanto à minha filha - sobre quais histórias são importantes contar e também com quais vidas eles devem se preocupar?’.”

Ela disse que seu objetivo era preservar e atualizar as histórias para refletir a cultura contemporânea, “que tem muitos gêneros, e não apenas um mundo predominantemente masculino”.



Natalie afirma que ao enfatizar valores como empatia, gentileza e cuidado com o planeta, o livro é “como um bilhete de amor” para seus filhos “em relação ao que espero que eles façam no mundo”.

Ela disse que seus filhos serviram como “mini editores”, com o filho Aleph pegando no pé pela escolha de palavras e a filha Amalia aprovando o humor nas ilustrações de Janna Mattia.

Ela era uma amante dos livros quando criança e guardou seus livros infantis favoritos para seus filhos, e está feliz que seu filho agora goste das histórias de Beverly Cleary e Judy Blume. Para seu próximo projeto de escrita, Natalie espera abordar algo da zona de conforto de seu filho, talvez uma história em quadrinhos.


TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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