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Murakami diz que Japão não assumiu a sua responsabilidade pela guerra

Escritor japonês concedeu entrevista a um jornal do país e falou sobre o que considera problemas e falhas históricas

EFE

04 de novembro de 2014 | 09h56

TÓQUIO - Para o escritor japonês Haruki Murakami seus compatriotas não assumiram seus erros por fatos como a 2.ª Guerra Mundial e Fukushima, de acordo com uma entrevista que ele concedeu ao jornal Mainichi.

“Acho que ninguém assumiu alguma responsabilidade pelo fim da guerra de 1945 ou o acidente nuclear de Fukushima”, disse o eterno candidato ao prêmio Nobel, que em raras ocasiões conversa com a mídia japonesa.

A entrevista publicada esta semana é a primeira concedida a um jornal desde 2009 pelo autor de Norwegian Wood, cujo último trabalho, O Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação foi um grande sucesso de vendas no Japão e nos Estados Unidos. 

Com relação à 2.ª Guerra Mundial, que terminou com a rendição do Japão depois das explosões atômicas em Hiroshima e Nagasaki, Murakami salientou que “ninguém assumiu a responsabilidade, ninguém foi condenado e utilizaram a figura do imperador para enganar a população”.

Neste sentido, o romancista e tradutor afirma que os japoneses se consideram vítimas, sem se dar conta de que seu país também foi “agressor”.

Murakami, 65 anos, referiu-se em termos similares à crise nuclear de Fukushima, causada por um terremoto e um tsunami em março de 2011.

“Preocupa-me o fato de que tudo é visto como se o tsunami e o terremoto fossem os agressores e nós as vítimas. Não se declarou nenhum responsável”, lamentou ele.

O autor de Depois do Terremoto e Kafka à Beira-mar explicou na entrevista que um dos principais objetivos da sua obra é transmitir otimismo às gerações mais jovens e que considera “pessimistas com relação ao futuro”.

“Quero transmitir à juventude o otimismo da minha geração, a dos anos 60, mas não de maneira direta. Eu o faço por meio da ficção para que seja mais facilmente aceito”.

Murakami, que viu o Prêmio Nobel de Literatura deste ano ser outorgado ao escritor francês Patrick Modiano, não obstante o fato de ser novamente considerado favorito, revela de modo peculiar as chaves do seu sucesso. 

“Meus romances são caóticos como o mundo atual. Cada vez que há um momento de caos meu trabalho se torna popular. Uma das chaves da minha obra é a perda de referência”, comentou o autor da trilogia 1Q84, publicada entre 2009 e 2010.

Neste sentido ele contou como se tornou muito conhecido na Europa nos anos 80 depois da queda do Muro de Berlim, “quando chegou ao fim o mundo das dicotomias”, e que teve sucesso nos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Murakami, o mais popular dos escritores contemporâneos japoneses, publicou doze romances, além de inúmeros contos e ensaios. Em 2012 foi candidato finalista ao prêmio Príncipe de Asturias de Las Letras. 

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