Mundo problemático faz dramaturgo Tom Stoppard parar para pensar

Em uma carreira teatral cujos temasabrangem desde Shakespeare até revolucionários russos e o rockdos anos 1960, o trabalho do dramaturgo Tom Stoppard semprepartiu de sua identidade de artista vivendo em uma democraciaaberta. Mas ele diz que as guerras no Iraque e Afeganistão e o queele vê como sendo a erosão das liberdades na Europa e nos EUAdesde os ataques de 11 de setembro estão contestando essaspremissas pelas quais ele sempre se pautou -- e lhe estãoprovocando um bloqueio criativo. "Desconfio que é essa a razão pela qual venho tendodificuldade em encontrar uma peça depois de 'Rock'n'Roll'.Ainda não comecei a escrever outra", disse Stoppard,referindo-se a sua peça de 2006 sobre amor, revolução e músicano final dos anos 1960. O escritor britânico de origem tcheca, que completou 71anos na semana passada, participou da Flip, a Festa LiteráriaInternacional de Parati, um tipo de evento que é uma raridadepara o dramaturgo, que odeia viajar e é anti-social confesso. "Hoje em dia há tantos temas tão enormes e importantes ànossa frente que você arregala os olhos: 'ok, será que escrevosobre o aquecimento global? Talvez eu fale do Iraque, talvez doAfeganistão', e então nada é escrito, porque essa é a maneiraerrada de abordar as coisas", disse ele. "Não se pode abordar o que se quer fazer com essaperspectiva, porque ter uma opinião não é o mesmo que ter umapeça." Stoppard, que ficou famoso por "Rosencratz and GuildensternAre Dead", de 1967, não é conhecido como autor polêmico, emboraquestões relativas à liberdade individual sejam fundamentais emboa parte de sua obra. Sua família chegou à Grã-Bretanha quando ele era criança,fugindo dos nazistas, e Stoppard sempre teve uma visão negativadas tendências autoritárias. PESQUISAS EM REVISTAS E JORNAIS Conhecido por mergulhar em livros de história quandoprepara suas peças, Stoppard disse que suas pesquisas atuaisenvolvem vários jornais e revistas. Ele percebeu até que ponto era grande o volume de leiturasatrasadas quando, no avião que o trouxe ao Brasil, tirou dabolsa uma "New Yorker" de um ano atrás. "Uma das razões pelas quais não tenho escrito nada há algumtempo é que não há horas suficientes no dia para ler The NewStatesman, The Spectator, London Review of Books, The New YorkReview of Books, todas essas revistas que chegam a minha caixado correio." "O plano B é atear fogo a todas elas", disse oex-jornalista. Stoppard ainda manifesta uma curiosidade quase juvenil poroutras pessoas e outros lugares. Ele disse que a maior surpresa que teve no Brasil foi ofato de ser muito mais conhecido no país pelos roteiros defilmes como "Shakespeare Apaixonado" e "O Ultimato Bourne" quepor suas peças. "Conheci duas pessoas aqui que vêm traduzindo meustrabalhos para sua própria diversão ou instrução, porque elesnão existem em português", disse Stoppard.

STUART GRUDGINGS, REUTERS

10 de julho de 2008 | 13h37

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