Filipe Araujo/AE
Filipe Araujo/AE

Morre poeta Mário Chamie

Chamie já apresentava um quadro de saúde debilitado devido a um câncer que estava sendo tratado desde maio de 2010

Luciana Fadon Vicente, do Estadao.com,

03 de julho de 2011 | 12h53

Morreu na manhã deste domingo, 3, o escritor Mário Chamie, aos 78 anos, de parada cardíaca em São Paulo. Segundo familiares do poeta, Chamie já apresentava um quadro de saúde debilitado devido a um câncer que era tratado desde maio de 2010. Após algumas internações, Chamie voltou na sexta-feira, 1º, ao Hospital Oswaldo Cruz, onde morreu neste domingo por volta das 9h.

Formado em Direito pela Universidade de São Paulo, Mário Chamie foi secretário municipal de Cultura entre 1973 e 1983, quando criou o Centro Cultural São Paulo, a Pinacoteca Municipal de São Paulo e o Museu da Cidade de São Paulo. Ganhador de diversos prêmios de literatura, entre eles os Jabuti de 1962 por "Lavra Lavra", o poeta deixou vasta obra.

Desde de 2007 era locutor do programa 50 por 1 da Rede Record e era também colaborador do Estado de S.Paulo. Ainda não foram divulgados horário e local do velório do poeta.

Obra literária. Como poeta, Chamie estreou em 1955, com o livro Espaço Inaugural. Quatro anos mais tarde, casou-se com a designer e coreógrafa Emilie Chamie, com quem viveu até sua morte, em 2000. A filha única do casal, Lina Chamie, nascida em 1961, é cineasta.

Em 1962, com Lavra Lavra - laureado com o Prêmio Jabuti -, instaurou o movimento da poesia práxis, apontado por muitos como uma dissidência do concretismo de Décio Pignatari e dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos. "Suas experiências são interessantes como tentativa de manter a tradição do Modernismo, sem renunciar ao espírito de vanguarda", disse sobre a práxis, à época, o intelectual Antonio Candido. "Por ter criado um movimento que se tornou referência, Chamie é muito prestigiado", acredita o presidente da APL, Nalini.

Chamie tem 15 livros publicados apenas de poemas. Há ainda traduções, peças, textos para cinema e televisão e ensaios. /  Com informações de Edison Veiga

 

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