RENATA CAFARDO/AE
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Morre o escritor baiano Hélio Pólvora

Ele tinha 86 anos e lutava contra um câncer de pulmão desde o ano passado; não resistiu a uma parada cardiorrespiratória

Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo

26 Março 2015 | 16h21

SALVADOR – Morreu, na madrugada desta quinta-feira, 26, em Salvador, o jornalista e escritor Hélio Pólvora. Ele tinha 86 anos, lutava contra um câncer de pulmão desde o ano passado e não resistiu a uma parada cardiorrespiratória enquanto dormia, em casa. O corpo será cremado no fim da tarde, no Cemitério Jardim da Saudade, na capital baiana.

Baiano de Itabuna, no sul da Bahia, Pólvora iniciou a carreira literária quando morava no Rio, para onde se mudou no início da década de 1950. Seu primeiro livro publicado, a coletânea de contos Os Galos da Aurora, de 1958 (reeditado em 2002), sucesso de crítica e de público, inseriu o escritor no mercado nacional da literatura e da crítica literária.

Na carreira, Pólvora, considerado um dos mais importantes contistas brasileiros, lançou 26 livros – a maioria de contos, mas também romances e críticas –, participou de dezenas de antologias e teve textos traduzidos para seis idiomas. Também foi colaborador de publicações como a revista Veja e os jornais Correio Braziliense e Jornal do Brasil, como cronista e crítico de obras literárias e de cinema.

O escritor voltou à Bahia no início da década de 1980 e fixou residência em Salvador em 1990. Em 1994, assumiu a cadeira 29 da Academia de Letras da Bahia (ALB) e, desde o início dos anos 2000, era colaborador do jornal baiano A Tarde, no qual era editorialista e escrevia regularmente para o Caderno 2, de Cultura, e para a coluna Opinião. O último texto foi entregue ao jornal nesta quarta-feira.

A ALB decretou luto de três dias pela morte do escritor e cancelou a cerimônia de posse da nova diretoria, que estava prevista para esta quinta-feira – o evento será realizado no próximo dia 9. “Hélio foi um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, uma glória para a literatura nacional, e uma grande figura humana”, disse o presidente da academia baiana, Aramis Ribeiro Costa. “Era um intelectual brilhante, que se dedicou à família e à literatura até o último minuto.”

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