EFE/Iván Franco
EFE/Iván Franco

Morre escritor e ícone da contracultura chilena Pedro Lemebel

Editora Cesárea publicou primeiro livro do escritor no Brasil. ‘Essa Angústia Louca de Partir’, em setembro de 2014

O Estado de S. Paulo, com agências internacionais

23 Janeiro 2015 | 18h20

O escritor chileno Pedro Lemebel, um valente crítico do regime militar chileno (1973-1990), morreu de câncer de laringe na madrugada desta sexta-feira, 23, aos 62 anos.

Um representante da família, Héctor Núñez, disse que o câncer "pretendeu deixá-lo sem voz, mas quem poderia tirar a voz de Lemebel? Sua voz existe e persiste", disse.

Em 2014, a editora brasileira Cesárea lançou por aqui Essa Angústia Louca de Partir, reunião de narrativas curtas que marcou a estreia de Lemebel no Brasil.

"Pedro foi um criador incansável, um lutador social, um defensor da liberdade e uma voz que nunca se apagou, representando os esquecidos, os muitos que se sentem órfãos em um país que não os represente nem os acolhe", disse a presidente do Chile Michelle Bachelet, nesta sexta-feira, 23.

"Se vai um valente e talentoso literato, Pedro Lemebel. Devemos muito a ele por trazer à tona os temas tabus, contrários à ditadura e próximos do povo", disse a presidente do Senado, Isabel Allende.

Nascido em 21 de novembro de 1952, Lemebel revelou sua homossexualidade em uma época em que o tema era tabu no Chile. Em 1980, ele criou com o artista plástico Francisco Casas o coletivo "Las Yeguas del Apocalipsis", com o qual fazia interrupções provocadoras em atos públicos e exposições de arte que o transformaram em um ícone da contracultura chilena.

Publicou poemas e antologias entre os anos 1980 e 1990, e seu primeiro romance, Tengo Miedo Torero, apareceu em 2001. Na década de 1990, sua fama transcendeu as fronteiras latino-americanas, e ele fez ciclos de palestras nas universidades americanas de Stanford e Harvard, e durante uma semana completa recebeu homenagens na Casa de las Américas, em Havana. Lemebel era próximo ao escritor Roberto Bolaño, que o ajudou a internacionalizar suas obras.

Em 2006, ganhou o prêmio da Fundação Anna Seghers, na Alemanha, e em 2013 levou o Prêmio Iberoamericano de Letras José Donoso.

Sua última aparição pública ocorreu há algumas semanas, no Museo Gabriela Mistral, vestido de branco, muito magro e sem poder falar.

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