Eduardo di Baia/AP
Eduardo di Baia/AP

Morre aos 91 anos o historiador e jornalista argentino Osvaldo Bayer

Principal investigador de um massacre ocorrido na Patagônia, Bayer foi defensor dos direitos humanos e se exilou durante a ditadura

Redação, AFP

25 Dezembro 2018 | 17h03

Morreu nesta segunda, 24, em Buenos Aires, o escritor, historiador e jornalista argentino Osvaldo Bayer, aos 91 anos. A notícia foi anunciada em primeira mão nas redes sociais do autor, e logo depois confirmada por sua filha, a cineasta Ana Bayer: “Uma notícia muito triste, faleceu meu papai”, escreveu ela em italiano, alemão e espanhol em sua página na internet.

Osvaldo Bayer foi o principal investigador de um dos eventos mais sangrentos da história argentina. A “Patagônia Trágica”, como ficou conhecido o episódio, foi a repressão do exército contra a greve de alguns operários anarcossindicalistas na Patagônia, localizada na região sul do país, que terminou em um massacre, entre o final de 1920 e o início de 1922. Mais de 200 trabalhadores foram mortos nessa ocasião. 

Considerado um anarquista e pacifista, o intelectual nascido em Santa Fé produziu, em 1972, o livro Los Vengadores de la Patagonia Tragica, em que recontava a história desse extermínio por parte do 10.º Regimento de Cavalaria do Exército Argentino por meio de relatos, entrevistas e uma extensa investigação histórica acerca do acontecimento.

O livro de Bayer foi a fonte de inspiração do filme A Patagônia Rebelde, de 1974, dirigido por Héctor Olivera. Uma curiosidade interessante a respeito do longa é que o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner foi um dos figurantes no elenco de apoio da obra. 

Censurado e ameaçado pela Aliança Anticomunista Argentina em 1975, Bayer – cuja família tem ascendência alemã – se refugiou em Berlim, onde permaneceu durante toda a ditadura civil-militar argentina (1976-1983). Essa não era a primeira vez em que ele ia à Alemanha, pois concluiu seus estidos em história na Universidade de Hamburgo em 1956.

Após a redemocratização no país, o autor de Severino de Giovani retornou, mas continuou vivendo entre Berlim e Buenos Aires durante anos. Tido como um dos principais intelectuais argentinos do século 20, Bayer lutou pelos direitos humanos e pela punição dos crimes da ditadura em seu país. 

Como jornalista, Bayer escreveu artigos para veículos como o Noticias Gráficas, El Esquel e para o Clarín, um dos principais diários do país. Em 1958, fundou La Chispa, primeiro jornal independente da Patagônia. / AFP

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