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Morre aos 84 anos o poeta português Herberto Helder

Considerado um dos mais importantes escritores portugueses do século 20, ele era recluso e concedia raras entrevistas

O Estado de S. Paulo

24 Março 2015 | 09h01

Morreu nesta segunda-feira, 23, aos 84 anos, o o poeta português Herberto Helder, em Cascais, de acordo com informações do jornal Público.

Poeta e escritor recluso, avesso a entrevistas e aparições públicos, bem como a diversos prêmios que ganhou ao longo da carreira, Helder é considerado um dos poetas mais importantes do país europeu.

Algumas de suas obras estão publicadas no Brasil (O Corpo O Luxo A Obra, pela Iluminuras, Os Passos em Volta, Azougue Editorial, e Ou o Poema Contínuo, pela Girafa), mas esgotados.

Em junho de 2014, o poeta publicou em Portugal A Morte Sem Mestre, uma edição que incluía um CD com poemas lidos pelo autor. Além do trabalho de poeta, Helder passou por diversos periódicos portugueses.

Em 1994, recusou o Prêmio Pessoa, um dos mais importantes prêmios literários do país, atribuído a ele por sua obra que "iluminava a língua portuguesa", segundo o júri.

Nascido em Funchal, na Ilha da Madeira, em 1930, Helder adotou ao longo da carreira um comportamento recluso, que parece ter contribuído para a fama que se criou ao redor de seu nome entre as letras portuguesas.

"Insistindo mais um pouco, e já se entregando àquela tarefa não autorizada pelo poeta, pode-se perceber que a poesia desse português – que até hoje recusa prêmios, homenagens e tudo do gênero – caminha entre imaterial, que faz com que sua poesia seja lida em vertente surrealista, e material, que aproxima sua poesia daquilo em que se converteu a influência surrealista original, possibilitando-lhe o lúcido voo interestelar e o lunático passeio de bicicleta, uma visita ao zodíaco e outra ao zoológico, para que depois o poeta, consciente, testemunhe 'o poema subindo pela caneta'", escreveu o poeta Tarso M. de Melo no Estado em dezembro de 2000, quando do lançamento de O Corpo O Luxo A Obra por aqui.

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