Brian Flaherty/The New York Times
Brian Flaherty/The New York Times

Morre aos 101 anos o poeta Lawrence Ferlinghetti, remanescente da geração beat

Autor, que também pintava quadros, publicou recentemente 'Little Boy', um romance autobiográfico

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2021 | 17h50

O poeta, editor, escritor e artista plástico americano Lawrence Ferlinghetti, o último sobrevivente da geração beat, morreu nesta segunda-feira, 22, aos 101 anos, em sua casa, em San Francisco.

Ele foi um dos grandes responsáveis por difundir a cultura beatnik, não apenas com sua obra poética, mas também por meio de seu trabalho de editor. Em 1953, Ferlinghetti fundou com Peter D. Martin a editora City Lights Booksellers & Publishers, onde publicou Howl and Other Poems, coletânea paradigmática do poeta Allen Ginsberg, em 1956, tido como uma das obras que abriram caminho para o surgimento a geração beat – na época, o livro foi recebido com horror por críticos, tido como ofensivo. Aliás, desde 2001, a editora e livraria City Lights é um patrimônio histórico da cidade de San Francisco.

Como poeta, o trabalho mais conhecido de Ferlinghetti é a coletânea A Coney Island of the Mind, de 1958, que o colocou ao lado de autores beatniks, como Jack Kerouac (de On The Road, clássico de 1957) e William S. Burroughs (de Almoço Nu, de 1959). 

Esses e outros nomes do movimento beat levaram poemas e prosas aparentemente kitsch ao patamar da alta literatura, lutando contra a percepção de que os escritores deveriam almejar a erudição. Por sua luta anti-establishment – estética e politicamente, diga-se de passagem, uma vez que os beats foram críticos ferrenhos da perseguição política empreendida pelo macarthismo, o que os deu a pecha equivocada de comunistas –, essa geração de poetas e escritores influenciou em grande medida toda a contra-cultura do século 20.

Além de poeta, o autor também publicava prosa e pintava quadros. Em 2020, ele publicou seu último livro, Little Boy, um romance de cunho autobiográfico.

Sem jamais perder sua lucidez, tendo produzido até os anos finais, Ferlinghetti viveu o suficiente para ver transformações políticas e tecnológicas afetarem a vida cotidiana. Em uma entrevista concedida rádio NPR, o poeta reclamou por ver que as pessoas preferiam mexer em seus celulares a conversar no seu café favorito de San Francisco.

No Brasil, a publicação de dois de seus livros está sendo preparada pela Editora 34. Um deles é Poesia como Arte Insurgente, que reúne alguns de seus ensaios e manifestos. O outro é uma antologia de seus poemas organizada por Fabiano Calixto e Natália Agra.

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