Michael Pollan atrai fãs da boa alimentação em Paraty

Escritor americano participou de mesa da Flip nesta sexta-feira, e fez ataques agudos, porém bem humorados, à indústria da comida

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

01 de agosto de 2014 | 15h56

PARATY - Michael Pollan atraiu uma legião de fãs e interessados em culinária e gastronomia para sua mesa, na 12ª Flip, nesta sexta-feira, 1º. Embalado pelo seu recém lançado Cozinhar, editado pela Intríseca, o escritor norte-americano criticou severamente as corporações da indústria alimentícia. Pesquisador da cadeia que envolve os alimentos desde sua produção até a reação no corpo humano, Pollan acredita que há diversas razões pelas quais nós nos alimentamos. “Criar identidades e ter prazer são algumas delas” afirmou, antes da mesa, na coletiva de imprensa. Entretanto, para o escritor, as comidas “fast food” - considerada, por muitos, prazerosa, - não chega perto da experiência de uma comida que ele denomina de "verdadeira". "Há prazeres simples e profundos. Assim como no amor e na sexualidade, existem formas fugazes ou mais lentas e prazerosas", afirmou. Durante a mesa, arrancou risos ao reforçar esse conceito dizendo que “fast food” é uma espécie de pornografia e que a comida verdadeira (não industrializada) seria o equivalente ao sexo de verdade.

Depois de trabalhar em uma fazenda americana, avaliar diversos meios de produção e estudar nutrição, Pollan avalia que a culinária em família é uma “chance de conexão com o outro”, e que por isso, para ele, cozinhar é um ato político: “A comida em família representa um espaço social complicado, mas democrático. Aprendemos sobre cidadania” disse. “Em uma mesa há discussões, as pessoas aprendem a dividir, escutar, falam sobre as notícias do dia. É um momento de ficar junto”. Com essa filosofia, o escritor chamou a atenção dos brasileiros, considerados por ele um povo de desfruta dessa forma de comer coletivamente, para que defendam seu sua cultura gastronômica que pode ser disseminada pela indústria de alimentos. “Para essas corporações não é interessante que as pessoas comam de um mesmo prato - como uma moqueca - a ideia deles é dividir, porque assim eles ganham mais”, provocou.

Indagado sobre como educar os filhos, em meio aos alimentos industrializados, muito palatáveis, o americano afirmou que ensinar as crianças a cozinhar ajuda no processo de educação alimentar e afirmou ser totalmente contrário ao marketing de comida infantil, comum em redes americanas que aliam ‘junk food’com brinquedos. “Isso, na minha opinião, deveria ser proibido”, enfatizou.

Sobre o desafio de alimentar melhor a população mundial, Pollan destacou a quantidade de desperdício de comida - segundo o autor, 40% do que é produzido no mundo é desperdiçado desde o processo de produção até o fim de uma refeição. Além de afirmar chamar de "falso argumento" a ideia de que a comida industrializada ajuda a alimentar o mundo. Para o autor, o modelo atual não é sustentável e "tira a comida da boca do povo". Como exemplo, usou o etanol, que nos EUA é fabricado a partir do milho, que poderia ser utilizado para alimentar a população.

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