Martinho da Vila. Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO
Martinho da Vila. Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Martinho da Vila é um dos homenageados do Flink Sampa 2015

Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra será nos dias 13 e 14 de novembro; participam, entre outros, Pepetela e Paulo Lins

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2015 | 13h35

(Atualizado às 19h25)

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Flink Sampa – Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra chega à terceira edição e recebe, nos dias 13 e 14 de novembro, no Memorial da América Latina, debates sobre a contribuição dos negros em diversos segmentos da cultura. No dia 15, o 13.º Troféu Raça Negra será concedido ao cantor, compositor e autor de 13 livros Martinho da Vila, em cerimônia na Sala São Paulo. Serão premiados, ainda, a cantora Angela Maria, o jogador Cafu e o maestro João Carlos Martins. Thobias, da Vai-Vai, assinará a direção musical da premiação.

O tema deste ano será Eu Quero Respirar e entre os escritores já confirmados estão os angolanos Pepetela e Lopito Feijo, a cubana Teresa Cárdenas e os brasileiros Manto Costa, Salgado Maranhão, José Jorge Siqueira, Paulo Pereira, Paulo Lins, Cristiane Sobral, Éle Semog, Emílio Júlio Braz, Nei Lopes e Conceição Evaristo. 

A curadoria é de Uelington Alves e de Guiomar de Grammont, e eles garantem que outros autores ainda serão confirmados. Sobre a programação, Grammont explica: “Vamos ressaltar, sobretudo, a relação entre a música e literatura com a homenagem a Martinho da Vila. Isso tem a ver com o tema, que faz referência ao desejo de eclosão que ficou latente por muitos anos de opressão das culturas de origem africana que se estabeleceram no Brasil e, também, a uma relação de intertextualidade entre ritmo e forma, entre letra e som”. 

Os primeiros confirmados foram anunciados nesta terça-feira, 18, em São Paulo. Na plateia, o ator Milton Gonçalves, o rapper Rappin Wood e o escritor Paulo Lins - que disse que foi por meio da cultura e da religião que os negros se inseriram na sociedade brasileira. Ele foi além: “A grande guerra do mundo, hoje, é cultural. Por preconceito. ‘Se você não acreditar no meu deus, eu te mato’. Tem bandido evangélico atacando os centros de candomblé. A grande travessia do Atlântico a partir de 1500, os 400 anos de escravidão, os 300 de colonização e os 400 anos de tráfico de escravos está acontecendo hoje no Mediterrâneo. A guerra continua”. 

O festival não se restringirá aos debates literários. Estão programados desfiles de moda, jogos esportivos, exposições, palestras sobre assuntos diversos (não apenas culturais), apresentações musicais, de teatro e dança e ainda uma feira de livros com 12 editoras já confirmadas.

Na primeira edição, em 2013, participaram 6 mil pessoas. Em 2014, 9 mil. A expectativa de público, agora, é de cerca de 15 mil pessoas e a homenagem a Martinho da Vila deve ajudar. A organização é da Universidade Zumbi dos Palmares e Afrobras - Sociedade Afro-brasileira de Desenvolvimento Sociocultural.

Pepetela na TV Estadão

Escritor angolano comenta seu romance A Sul. O Sombreiro em sua passagem pelo 'Estado', em 2015


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