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Mário de Andrade será o homenageado da Flip

Às vésperas da entrada de sua obra em domínio público, editora planeja novas edições para aproveitar a homenagem em Paraty

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

16 Janeiro 2015 | 18h00

Atualizada às 18h30

Prestes a entrar em domínio público, Mário de Andrade (1893- 1945) será o escritor homenageado da Festa Literária Internacional de Paraty, entre 1.º e 5 de julho. Autor de Pauliceia Desvairada, Amar, Verbo Intransitivo e Macunaíma, entre outras obras, e um dos principais nomes do Modernismo brasileiro, ele deve ser lembrado por sua contribuição literária, claro, mas também pela atuação no campo do patrimônio cultural. 

“Indiscutivelmente, Mário de Andrade é um grande autor da literatura brasileira e sua escolha dispensa justificativas”, diz Paulo Werneck, curador pelo segundo ano do festival. Ele completa: “O foco da Flip sempre foi Paraty e sempre quisemos que a cidade fosse o assunto. E o fato de ela estar preservada é uma decorrência do trabalho dele, que criou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional com Rodrigo Melo Franco de Andrade. Além disso, o que fazemos com a Flip se deve também à Semana de 22”. 

A decisão pelo nome de Mário não foi ligada a algum projeto editorial, explica o curador. Mas o que se observa é que a homenagem acaba estimulando uma série de publicações ou reedições – sempre bem-vindas. Macunaíma, por exemplo, não é facilmente encontrado em livrarias.

A Nova Fronteira, que edita a obra do autor em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros, detentor de seus direitos, iniciou em 2007 o projeto de publicar os livros a partir de pesquisa em seus manuscritos e depois de estabelecidos os textos, que em alguns casos foram corrigidos em edições passadas. Mas o processo é lento. Estava prometido para 2011 o lançamento do romance inédito Café, que finalmente sairá em tempo da Flip.

A editora vai lançar, ainda, Macunaíma em São Paulo: O Nascimento de um Brasil, graphic novel com roteiro de Izabel Aleixo e ilustrações de Kris Zullo, e uma antologia de contos e crônicas. E os e-books de estudos do autor: Música de Feitiçaria, As Melodias do Boi e Pequena História da Música

Está prevista uma exposição para o período do evento ligada ao recém-inaugurado Museu do Território – uma iniciativa também da Casa Azul que tem como objetivo preservar a história da cidade. A organização ainda não anunciou quem fará a conferência de abertura ou nomes de escritores convidados para a programação principal. No entanto, antecipou que Odilon Moraes, que ilustrou o conto Será o Benedito! para a Cosac Naify, e Luciana Sandroni, autora de Mário Que Não é de Andrade, lançado no início dos anos 2000 pela Companhia das Letrinhas, participam da Flipinha.

“Mário de Andrade marcou profundamente o século 20 no Brasil, mas acho que muitas questões que ele lançou têm reverberação apenas hoje. O ambiente de discussão se formou agora, A questão da fala, da língua erudita é um problema que o Brasil não superou. A questão da cultura indígena como parte essencial da identidade brasileira, a música, a literatura de viagem, a descoberta do Brasil, da Amazônia. Me parece tudo muito atual”, comenta Werneck, que diz perceber uma renovação de leitores e de críticos. 

São Paulo. A casa da rua Lopes Chaves onde o intelectual viveu e que abrigava oficinas, passa por reforma e deve ser reaberta no dia 25 de fevereiro, aniversário de morte de Mário de Andrade, como uma espécie de museu – mas os objetos não são muitos. O piano usado por ele em suas aulas foi o que restou de mais importante. Na sala em que o piano ficará o visitante poderá ouvir música da época. Carlos Augusto Calil é o responsável pela curadoria da reforma do espaço, que passará a se chamar Oficina Cultural Casa Mário de Andrade. Um galpão de 200 m² foi alugado ao lado e deve ser usado para as aulas.

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