Arden Wray/The New York Times
Arden Wray/The New York Times

Margaret Atwood e John Grisham estão entre escritores que contribuíram para romance sobre a pandemia

A história de 'Fourteen Days: An Unauthorized Gathering' é ambientada numa cobertura em Manhattan em 2020 com o vírus se propagando pelo mundo e os ricos fugindo da cidade

Hillel Italie, AP

23 de março de 2021 | 20h00

NOVA YORK - Um dos principais romances sobre a pandemia será um trabalho em colaboração, com Margaret Atwood, John Grisham e Celeste Ng entre os escritores participantes.



A Authors Guild Foundation anunciou na quinta-feira ter firmado um acordo com a Mifflin Harcourt Books & Media para publicar Fourteen Days: An Unauthorized Gathering [Quatorze Dias: Uma Reunião Não Autorizada, em tradução livre]. A história é ambientada numa cobertura em Manhattan em 2020 com o vírus se propagando pelo mundo e os ricos fugindo da cidade. O romancista e presidente do Authors Guild, Douglas Preston, teve essa ideia com o fim de arrecadar dinheiro para a fundação.

“Vimos uma oportunidade nestes tempos sombrios de fazer algo positivo e até transformativo com a criação desta obra literária inusitada. Os seres humanos sempre enfrentaram as tragédias contando histórias e este livro será nossa resposta à covid-19”, disse Preston.

A escritora Suzanne Collins, autora de Jogos Vorazes, ofereceu uma “doação” importante à fundação Guild para apoiar o projeto. Atwood está editando Fourteen Days e ajudou a recrutar um grande número de colaboradores, incluindo Dave Edgers, Ishmael Reed, Monique Truong, Hampton Sides, Mary Pope Osborne e Emma Donoghue. O lançamento de Forteen Days está previsto para o primeiro semestre de 2022.

“O elenco de personagens ficcionais na cobertura de Manhattan em Fourteen Days têm muito a dizer um ao outro sobre a vida durante a pandemia e mais ainda sobre a vida em geral, às vezes entrando em discussões, debates ou até brigas - outras vezes encontrando soluções em momentos inesperados de empatia e afinidade”, disse Atwood num comunicado.



“Para criar um contexto narrativo, estruturamos o trabalho de maneira que os ricos do imóvel registrem as histórias e conversas no celular dela para criar um texto de guerrilha”.

Normalmente, os escritores de ficção necessitam de mais tempo do que os poetas ou autores de livros de não-ficção para absorver eventos históricos, e os romances e contos sobre o coronavírus têm sido raros em um ano de pandemia. Vários livros ilustrados foram publicados, como Heroes Wear Maks, Elmo’s Super Adventure, e While We Can’t Hug. E também o livro de não-ficção de Michael Lewis, The Premonition: A Pandemic Story, a ser lançado em maio.

Mas, até agora, a tendência dos escritores é usar a pandemia como uma subtrama, como Michael Connelly em seu thriller The Law of Innocence, ou evitar o tema, como Stephen King, que no seu próximo livro, Billy Summers, mudou a data da sua história de 2020 para 2019. Preston disse à Associated Press que ele não está pronto para um romance longo sobre a pandemia.

“É algo muito rude e muito novo, e como escritor você precisa assimilar a experiência. Estava em Nova York naquela semana terrível de nove de março quando a cidade fechou, uma emergência nacional foi declarada e a Guarda Nacional cercou New Rochelle (onde um surto de covid ocorreu). Aquela foi uma das semanas mais inacreditáveis da minha vida e foi brutal”.


 TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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