Rafael Arbex / Estadão
Rafael Arbex / Estadão

Marcelo D'Salete vence o prêmio Eisner, o Oscar dos quadrinhos

Quadrinista brasileiro levou a principal premiação do mundo na área, na categoria de publicações estrangeiras, por seu livro 'Cumbe', com histórias da escravidão no Brasil

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

21 Julho 2018 | 11h07
Atualizado 23 Julho 2018 | 18h14

O quadrinista brasileiro Marcelo D’Salete venceu o Prêmio Eisner, considerado o "Oscar dos quadrinhos", na categoria melhor publicação estrangeira nos Estados Unidos. Ele, que também é professor de Artes Plásticas do ensino básico público paulista, ganhou o prêmio pelo livro Cumbe, que narra histórias de africanos trazidos ao Brasil para trabalhar como escravos. Os resultados da 30.ª edição do Eisner foram anunciados na sexta-feira, 20, na Comic-Con San Diego.

Cumbe (Run for It, Fantagraphics, 2017, traduzido por Andrea Rosenberg) saiu no Brasil pela editora Veneta, em 2014. Essa história partiu do mesmo projeto que resultou em Angola Janga (2017), outra aclamada obra de D’Salete: abordar conflitos, dramas e esperanças de escravos trazidos ao Brasil dos antigos reinos de Angola e Congo após uma extensa pesquisa, de mais de uma década. Em Cumbe, ele narra quatro histórias diferentes do ponto de vista dos escravos, que lutam contra o sistema que os oprime.

“As marcas de cada um desses africanos estão presentes em nossa história e cotidiano. Ainda lutamos pelo reconhecimento simbólico, cultural, econômico e político no Brasil (dos remanescentes quilombolas, dos territórios indígenas e do simples direito a vida de cada jovem de periferia). Os quadrinhos, a literatura, as artes são componentes essenciais para uma mudança estrutural”, escreveu Marcelo D’Salete em sua página pessoal do Facebook nesse sábado.

“Esse lançamento foi um momento de inflexão total na minha trajetória. Na época, pensava seriamente se continuava a produzir e publicar do mesmo modo. Apesar das críticas positivas, meus livros anteriores não tinham chegado a um público muito amplo. Cumbe rompeu todas as expectativas”, disse. 

Mestre em história da arte pela Universidade de São Paulo (USP) e professor de Artes Plásticas na educação básica paulista, D’Salete se une a outros nomes brasileiros vencedores do prêmio, como Fábio Moon, Gabriel Bá e Rafael Albuquerque.

A grande vencedora do Eisner de 2018 foi a americana Emil Ferris, que levou três prêmios, incluindo do de melhor escritor e artista. O livro vencedor, My Favorite Thing Is Monsters, deve sair no Brasil ainda este ano pela Companhia das Letras. 

Com diversas categorias, o Eisner é entregue anualmente, desde 1988, na Comic Con San Diego. Art Spiegelmann, Frank Miller, Alan Moore e Chris Ware também já venceram a premiação.

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