EFE/EPA/Shawn Thew
EFE/EPA/Shawn Thew

Louise Glück, pintora da beleza simples da natureza

Ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura 2020 é considerada uma das maiores vozes da poesia americana

Hugues Honoré, AFP

08 de outubro de 2020 | 11h55

Ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura 2020, Louise Glück, considerada uma das maiores vozes da poesia americana, extrai o material para seu trabalho da beleza simples da natureza e de sua infância.

Um de seus poemas, Japonica (um grupo de borboletas), lembra a fina arte dos pintores japoneses, começando com "As árvores florescem / na colina. / Elas carregam / grandes flores solitárias, / japônicas" (em tradução livre do inglês).

Em entrevista a uma revista de poesia americana em 2006, ela negou ser especialista em motivos florais: "Tive muitos pedidos de horticultura, mas não sou horticultora".

Em 1992, publicou The Wild Iris (não traduzido para o português), uma coletânea que desdobra um jardim inteiro e que lhe rendeu o Prêmio Pulitzer, um dos mais prestigiosos prêmios do mundo.

Sua poesia é muito acessível. Dispensa o aparato explicativo crítico, e o inglês de Louise Glück pode ser lido sem muita dificuldade, desde que se tenha algum conhecimento da língua.

Adepta do despojamento, ela cita como primeiras influências de juventude poetas conhecidos por sua clareza de expressão, William Butler Yeats (Prêmio Nobel de 1923) e T.S. Eliot (Prêmio Nobel de 1948).

Além da natureza, sua grande fonte de inspiração é sua infância.

Perda de uma irmã 

"Eu era uma criança solitária. Minhas interações com o mundo como um ser social eram pouco naturais, forçadas, representações. E eu ficava mais feliz quando lia. Bem, não era inteiramente tão sublime assim. Assistia muito à televisão e comia muito também", conta ela.

Seu sobrenome germânico vem de avós judeus da Hungria que emigraram para os Estados Unidos no início do século 20.

Louise nasceu em 1943, em Nova York, em uma família que a incentivou a expressar sua criatividade.

Uma de suas heroínas de infância foi Joana d'Arc, à qual dedicou um pequeno poema em 1975. "E agora as vozes respondem que devo/me transformar em fogo, segundo o desígnio de Deus" (tradução livre do inglês).

Sua adolescência foi difícil, sofrendo de anorexia. Um de seus traumas é a perda de uma irmã mais velha. "Minha irmã passou uma vida inteira na terra./ Ela nasceu, ela morreu. / Nesse ínterim, / nem um olhar arregalado, nem uma frase", disse ela em Lost Love, de 1990 (tradução livre).

Louise Glück abandonou os estudos, casou-se e se divorciou rapidamente. Começou a se revelar em 1968, com sua primeira coleção "Firstborn". Um segundo casamento trouxe mais estabilidade, e ela, então, retomou seus estudos e se tornou acadêmica.

"Ao longo de toda obra poética de Glück, muitas das figuras centrais de seus poemas são mulheres (...), ou uma jovem, que muitas vezes é distinguida como filha de alguém, ou uma mãe", apontou Allison Cooke, pesquisadora de literatura.

Louise Glück é mãe de uma criança.

"A jovem mulher na poesia de Glück se encaixa em décadas de discurso feminista sobre o que significa ser mulher", acrescentou Cooke.

Em mais de 50 anos, ela publicou 13 coletâneas. A última, em 2014, foi Faithful and Virtuous Night. Sua obra é inédita em livro no Brasil.


 

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