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Livros para encerrar um ano longo

Estropiados, mancando, gemendo e com medo, chegamos ao penúltimo mês do ano longo que começou em março de 2020

Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2021 | 03h00

2021 foi um terror! Com muitos pontos de exclamação!!! Estropiados, mancando, gemendo e com medo, chegamos ao penúltimo mês do ano longo que começou em março de 2020. Sim, rodopiamos há quase 21 meses na mesma data. Estamos vivos e isso nos obriga a um mínimo de estratégia. A melhor delas é o conhecimento. Por isso, só de raiva, eu lerei muito mais daqui para a frente. Vou indicar algumas dessas leituras. 

Olga Tokarczuk (1962) é a psicóloga polonesa que ganhou o Prêmio Nobel de 2018. A surpreendente editora Todavia lançou Correntes (tradução de Olga Baginska-Shinzato). O texto mostra muito da qualidade da autora premiada: jogos de ideias e de palavras, cotidiano, experiências insólitas do desaparecimento de esposa e a figura de um taxidermista. As personagens parecem muito do universo polonês, algo milenar com cara de reconstruído após 1945. 

Detesta o mundo virtual e redes? Seu livro de cabeceira será A Fábrica de Cretinos Digitais – Os Perigos das Telas para Nossas Crianças, de Michel Desmurget (ed. Vestígio, tradução de Mauro Pinheiro). É um forte libelo contra os riscos do uso excessivo de computadores e celulares por crianças. 

A editora Intrínseca lançou A Cilada da Meritocracia – Como um Mito Fundamental da Sociedade Alimenta a Desigualdade, Destrói a Classe Média e Consome a Elite. O autor, Daniel Markovits, é professor de Direito em Yale (EUA) e complementa bem os textos de Michael Sandel sobre a questão da meritocracia (livro: A Tirania do Mérito) que já indiquei há algumas semanas. Ainda no mesmo campo, o trabalho de Camila Rocha foi muito interessante. Ela pesquisou o pensamento da chamada nova direita no Brasil e produziu a obra Menos Marx, Mais Mises (Editora Todavia), fruto de muita convivência e debate com militantes.

Cansou de discussões políticas e sociológicas? Quer planejar férias com leveza e poesia? Walmir Ayala selecionou muitos Poemas de Amor (ed. Nova Fronteira). A seleção com a curadoria do aclamado poeta gaúcho foi revista e atualizada por André Seffrin. Shakespeare, Cervantes, Leopardi, Castro Alves e até o patrono da minha cadeira na Academia Paulista de Letras: José Bonifácio, o moço. No mesmo “embalo” literário: você gosta d’O Auto da Compadecida? Que tal ver uma obra menos famosa de Ariano Suassuna: Auto de João da Cruz (também da Nova Fronteira)? Um dia eu escreverei um texto comparando todos os pactos diabólicos da literatura, do Fausto de Goethe ao sertão de João da Cruz. Por enquanto não, os demônios da ficção perderam para os reais. Ler é um exorcismo! 

LEANDRO KARNAL É HISTORIADOR, ESCRITOR, MEMBRO DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS, AUTOR DE ‘A CORAGEM DA ESPERANÇA’, ENTRE OUTROS

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