Acervo Unesp
Acervo Unesp

Em nova edição, livro traz palestra de Sartre em Araraquara

Obra retrata vinda do filósofo à cidade no ano de 1960 para falar sobre conciliação de existencialismo e marxismo

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2019 | 20h00

O livro que lembra a vinda do filósofo francês Jean-Paul Sartre ao Brasil, em setembro de 1960, para uma conferência na antiga Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Araraquara, ganhou nova edição. A edição original, de 1986, do livro Sartre no Brasil – A Conferência de Araraquara, narra a passagem do filósofo pela cidade e sua famosa palestra sobre a conciliação entre existencialismo e marxismo, que ganhou destaque no panorama do pensamento brasileiro da época.

A reimpressão bilíngue da Editora Unesp preserva a peça central da edição de 86, mas inclui alterações no conteúdo e formato do livro, que ganha capa dura. “O intuito foi manter o registro fiel daquele evento, com histórias que atestam a importância da inusitada conferência para os intelectuais brasileiros da época”, afirmou o professor Cláudio César de Paiva, diretor da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, câmpus Araraquara. Ele e Marcelo Carbone Carneiro, diretor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp, câmpus de Bauru, assinam a apresentação da obra.

Para o lançamento, eles planejam reunir, em Araraquara, algumas pessoas que participaram da conferência realizada há 59 anos, entre elas o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que atuou na tradução simultânea da conferência, e o dramaturgo José Celso Martinez Correa. Conforme Paiva, o evento será realizado em breve, mas ainda não foi definida a data. Ele destaca que a importância da palestra permanece atual. “Ela percorre temas caros a Sartre, como a natureza e os limites da liberdade, e faz um exame da noção de compreensão.”

A presença do filósofo na faculdade de Araraquara no auge da guerra fria agitou a cidade, na qual foram realizadas pregações da igreja católica em rádios contrárias ao pensador pelo seu alinhamento à esquerda, pela defesa da revolução cubana e por criticar o colonialismo francês na Argélia. Havia um questionamento sobre o motivo da visita a uma pequena cidade para uma conferência na faculdade e uma reunião com estudantes e trabalhadores rurais no teatro municipal.

O professor Fausto Castilho, então docente da Unesp, foi o responsável pela ida de Sartre à cidade. O filósofo e sua companheira, Simone de Beauvoir, estavam no Recife para o 1.º Congresso Brasileiro de Crítica e História Literária, e Castilho enviou a ele uma pergunta sobre a conciliação entre existencialismo e marxismo, exposta na obra Crítica da Razão Dialética. Castilho conta que o filósofo disse que só poderia responder à questão pessoalmente, em uma conferência. “Convidei-o e ele prontamente aceitou.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.