Livro revela detalhes sobre a carreira de Robert De Niro

Aos 71 anos, ele ainda diverte e intimida milhares de fãs

Entrevista com

Robert De Niro

Jill Serjeant - REUTERS, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2014 | 18h30

NOVA YORK - Brilhante, taciturno, divertido, uma pessoa que intimida - Robert de Niro é considerado um dos maiores atores americanos de todos os tempos, mas sua vida privada é das mais reservadas. 

O escritor e crítico de cinema Shawn Levy passou quatro anos tentando conhecer o duplamente vencedor do Oscar, trabalhando na sua biografia, que leva o título Robert De Niro: A Life (Robert De Niro: Uma Vida). 

Levy conta o que apreendeu do arquivo de scripts e notas de produção sobre o ator, hoje com 71 anos e mais de 80 papéis no cinema. 

Você solicitou várias vezes uma entrevista com De Niro, mas não obteve resposta. Por que ele reluta em falar de si mesmo? 

Nos primeiros contatos com a imprensa, ele não se sentia à vontade.De Niro é basicamente uma pessoa introvertida que consegue se expressar numa forma pública. Em seus primeiros encontros com a mídia, este fato de ele não estar pronto ficou à mostra. Quando se transformou em astro, o estrelato deu-lhe poder para erigir um muro entre ele e os momentos desconfortáveis. E ele se tornou o que é.

Uma das questões que o livro coloca são as razões que levaram De Niro a direcionar sua energia para alguns papéis importantes no início e agora “despende essa energia descuidadamente em filmes de menor importância como se fosse o vinho mais barato”. 

Ele tem uma tremenda ética no trabalho, que herdou dos pais, e durante um longo tempo concentrou esse trabalho de maneira vigorosa em papéis sob medida. Ele continua a trabalhar, mas em vez de levantar 90 quilos de uma vez, vem levantando 9 quilos dez vezes. Quando você toma essa decisão, perde a prerrogativa de dizer que só fará o melhor com os melhores, porque os melhores não trabalham seis ou oito vezes num ano. Acho que, quando não está trabalhando, ele sente que está ficando preguiçoso.

Essas escolhas duvidosas de papéis, os fracassos, mancham sua reputação a longo prazo? 

Não acredito. Se você fizer uma lista das 50 maiores interpretações no cinema, cinco ou seis de Robert de Niro estarão na lista. E depois existem 15 ou 20 que todos gostam, podem citar e voltar a ver. Em Trapaça, ele aparece em uma cena e muda o filme, sem levantar da sua cadeira. De Niro ainda tem esse poder como ator. Não será lembrado por ter feito filmes terríveis com Eddie Murphy e Dakota Fanning. Será lembrado por Touro Indomável e Taxi Driver. Ninguém pode tirar isso dele.

O que mais te surpreendeu? 

A sua extrema dedicação ao trabalho e sua habilidade de colecionador: ele doou seus arquivos, materiais de produção, roupas e objetos usados em cena para a Universidade do Texas, em Austin, em 2005 e foram necessários dois caminhões de 18 rodas para fazer o transporte. Quando decidia trabalhar duro, o volume de trabalho que produzia deixou-me estupefato. Ele era incansável.

Você agora aprecia De Niro menos ou mais? 

Eu realmente o admiro. Ele não finge ser o que não é. Não tenta se passar por um intelectual. Ele sabe quais são os limites de um ator - nunca fez um filme cuja história se passasse antes de 1900. Admiro seu senso de dever e lealdade para com a família, que é uma colcha de retalhos, mas está completamente intacta.

Qual é seu filme favorito dele? 

Aqui no meu escritório há um cartaz do filme Taxi Driver pendurado na parede. Passei ótimos momentos revendo todos os filmes, mas meu preferido é Taxi Driver, que despertou meu interesse por outros filmes e atuações de uma maneira nunca vista.

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