Jacky Naegelen/Reuters
Jacky Naegelen/Reuters

Livro polêmico de Michel Houellebecq será lançado no Brasil no primeiro semestre

'Submissão', romance do controverso escritor que é situado numa França sob o comando de partido muçulmano, sairá pela Alfaguara

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

08 Janeiro 2015 | 18h42

Soumission, o mais novo livro do francês Michel Houellebecq que vem causando furor na França desde o fim de semana, será lançado ainda neste semestre no Brasil pela Alfaguara com o título de Submissão. A obra, que tem como pano de fundo uma França comandada, num futuro muito próximo, por um partido muçulmano, começou a ser vendida ontem nas livrarias francesas ao mesmo tempo em que a edição semanal do Charlie Hebdo chegava às bancas – na capa, uma charge sobre o controverso escritor e seu lançamento polêmico. E depois de uma semana intensa e abalado com a morte do amigo Bernard Maris, que trabalhava na publicação, ele suspendeu a promoção do livro e saiu de Paris por um tempo, informaram seus editores.

Trata-se de uma ficção. O ano é 2022. Para combater a Frente Nacional, de extrema direita, dois partidos tradicionais – o Partido Socialista e a conservadora UMP – se juntam na criação de partido muçulmano e seu líder, o fictício Mohamed Ben Abbes, se tornará o presidente da República. Esse é basicamente o enredo do romance que tem como protagonista um professor de literatura. 

Por causa de Submissão, que um dia depois do lançamento ocupava a primeiro lugar na lista de mais vendidos da Amazon francesa, Houellebecq foi acusado de islamofobia, de racismo. Em entrevistas, disse não conhecer romance algum que tenha mudado o rumo da história, que ele não estava tomando partido e que é pouco factível que o que imaginou se torne realidade – embora acredite no triunfo de Marine Le Pen em 2017. O jornal de esquerda Libération disse que ele dava respaldo intelectual à Frente Nacional e seu discurso sobre imigração. 

Houellebecq, que anos atrás chegou a chamar o islamismo de “babaca”, comentou ter mudado de ideia após ler o Alcorão. À Agência EFE, ele disse que “a conclusão mais evidente é que os jihadistas são maus muçulmanos” e que “em princípio, a guerra santa não está autorizada. Só é válida a pregação”. 

Autor de O Mapa e o Território (Record), vencedor, em 2010, do Prêmio Goncourt, e Extensão do Domínio da Luta (Sulina), entre outros, o francês quase veio ao Brasil duas vezes para participar da Festa Literária Internacional de Paraty. Mas nas duas vezes cancelou a viagem. 

Outro livro menos polêmico, mas também politizado, chega às livrarias italianas nesta sexta (9): Numero Zero, de Umberto Eco – que, comentando o ataque em Paris, disse ao Corriere Della Sera: “Estamos em guerra até o pescoço. O Estado Islâmico é o novo nazismo”. A obra de Eco se passa em 1992 e tem relação com a Operação Mãos Limpas, que tentou esclarecer casos de corrupção na Itália.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.