Susan O'Neill Roe/Espólio de Ted Hughes
Susan O'Neill Roe/Espólio de Ted Hughes

Livro mostra a força e o rigor da jovem Sylvia Plath

'Mary Ventura and the Ninth Kingdom’ é obra escrita quando a poeta e romancista tinha por volta de 20 anos

Parul Sehgal, The New York Times

27 de janeiro de 2019 | 21h08

Uma história de Sylvia Plath (1932-1963) nunca publicada antes deve ser lançada este mês na forma de um livro. Mary Ventura and the Ninth Kingdom, que será lançado no Brasil neste ano pela Biblioteca Azul, um conto alegórico narrando uma viagem de trem para uma espécie de purgatório, escrito meses antes da primeira tentativa de suicídio de Sylvia, aos 20 anos. Nenhuma notícia poderia ser mais desmotivadora para um verdadeiro fã de Plath.

Sofremos com Johnny Panic and he Bible of Dreams, uma coleção póstuma de contos da sua juventude. Sabemos que as características que distinguiam sua poesia – o desprezo radiante e as imagens de pesadelo – continuam atreladas nos seus contos, esfera de simbolismo sonoro e moralidade melodramática. Mary Ventura and the Ninth Kingdom é confuso – Plath escreve com rigor e a convicção da escritora noviça que faz a descrição que tornará seu mundo real. 

É uma história emocionante. Uma menina é enviada para uma viagem pelos pais, destino desconhecido. Ela percebe que está em perigo e com a ajuda de uma mulher mais velha consegue fugir do trem, a pé, correndo por túneis escuros para chegar a um lugar iluminado, uma espécie de paraíso. É uma história flagrantemente freudiana, mas se examinarmos cuidadosamente há um novo ângulo aqui, sobre como, e por que, lemos Sylvia Plath hoje.

“Uma pessoa que morre aos 30 anos no meio de um processo de separação conturbado permanece para sempre fixada na confusão”, escreveu Janet Malcom em The Silent Woman, um estudo sobre a disputa envolvendo o legado de Plath. “Para os leitores da sua poesia e sua biografia, Sylvia Plath sempre será a jovem encolerizada com a infidelidade do marido Ted Hughes.” Essa profecia provou ser errada. Não é a esposa enganada, mas Plath, a artista, que está crescendo – a jovem escritora com sua mente faminta.

Mary Ventura and the Ninth Kingdom chega no momento de uma redescoberta de mulheres escritoras esquecidas (Lucia Berlin, Katheleen Collins) como também de um maior reconhecimento daquelas que achávamos que conhecíamos (Clarice Lispector, Shirley Jackson, Pauli Murray, Lorraine Hansberry). 

Mary Ventura and de Ninth Kingdom foi promovido pelo editor como a história da revolta de uma jovem contra as convenções e da sua luta para controlar seu destino. Mas esse é o verdadeiro ponto? Quando a menina descobre que está em perigo ela se volta para a mulher mais velha, sentando-se ao lado dela, que diz ter feito aquela viagem muitas vezes durante anos. É ela quem mostra a saída para a menina. Não é uma história familiar sobre uma heroína e seu triunfo solitário, mas uma história sobre ajuda – a ajuda que as mulheres podem oferecer uma para a outra; e uma ajuda que é possível apenas vinda de outras gerações, daquelas que já têm algum conhecimento dessa jornada.

A menina sai dos túneis escuros para entrar em “redes douradas de luz solar”. Ela ouve a risada de crianças e vê uma figura familiar, a mulher do trem. A mulher olha para a menina com “amor triunfante”. E lhe diz: “Estava esperando por você”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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