Nilton Fukuda|Estadão
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Livro faz pensar na USP do presente e do futuro

Organizado por José Goldemberg, volume traz ensaios de diretores das diversas unidades da universidade

Luciana Garbin, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2015 | 03h00

Melhor universidade da América Latina, a USP completou 80 anos em 2014. Mas a celebração só está terminando agora, com a publicação de um livro com 54 textos escritos por representantes dos diferentes departamentos, institutos e faculdades que compõem a Universidade de São Paulo. Quando as comemorações de aniversário começaram, os professores foram desafiados a resumir em poucas linhas as contribuições de sua respectiva unidade para a ciência e/ou as políticas públicas nas últimas décadas.

O resultado, como explica o reitor Marco Antonio Zago na apresentação de USP 80 Anos (Edusp), é uma reflexão interna de como as unidades de ensino e pesquisa, os institutos especializados e os museus que pertencem à universidade enxergam o cumprimento de sua missão. 

“Além dos limites da própria USP, o livro permite compartilhar com a sociedade resultados, dados e opiniões”, explica o reitor, destacando que, mais do que um balanço das realizações, a obra traz uma visão prospectiva de futuro.

“O mérito do livro é ser um documento objetivo sobre as contribuições da USP ao Estado de São Paulo nesses 80 anos”, resume o ex-reitor e presidente da Comissão dos 80 Anos da USP, José Goldemberg. “Desde a criação, a universidade formou mais de 300 mil pessoas, os melhores engenheiros, médicos, advogados. Mas há áreas em que infelizmente o sonho dos fundadores ainda não se concretizou. Por isso, é importante fazer essa reflexão e ter um diagnóstico que possa servir de ferramenta para os próximos 80 anos.”

O artigo 2.º do Decreto 6.283, de 25 de janeiro de 1934, resume as aspirações dos fundadores da universidade, entre eles o jornalista Julio de Mesquita Filho:

1) Promover, pela pesquisa, o progresso da ciência;

2) Transmitir, pelo ensino, conhecimentos que enriqueçam ou desenvolvam o espírito ou sejam úteis à vida;

3) Formar especialistas em todos os ramos de cultura e técnicos e profissionais em todas as profissões de base científica ou artística;

4) Realizar a obra social de vulgarização das ciências, das letras e das artes, por meio de cursos sintéticos, conferências, palestras, difusão pelo rádio, filmes científicos e congêneres.

Goldemberg lembra, em seu artigo no livro, que a universidade de orçamento maior que o de 90% dos municípios paulistas é também, em número de alunos e professores, uma das maiores do mundo, comparável apenas às Universidades de Paris, Califórnia, Buenos Aires, Nacional Autônoma (México), Toronto e Tsinghua (China). Em termos de qualidade, situa-se entre as 200 melhores universidades do mundo - de um total de dez mil. Além disso, é um celeiro de profissionais de várias áreas do conhecimento e das artes. 

“Dela tem saído uma fração significativa de homens públicos do País, não só na área de governo como da atividade econômica e da sociedade em geral, bem como docentes das outras universidades brasileiras”, explica Goldemberg, que atualmente preside a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Ele acrescenta, porém, que o impacto do trabalho científico da USP, “embora seja dignificante”, ainda se encontra abaixo da média mundial.

A universidade também enfrenta desafios pelo tamanho que conquistou e precisa equacionar uma dívida milionária - em crise, tem visto suas despesas superarem as receitas. “A USP deve enfrentar os desafios do presente para estar à altura da diversidade da missão que lhe foi atribuída por seus fundadores”, escreve Zago no livro. “Se, na vida pessoal, 80 anos representam toda uma existência, na vida de instituições, como as grandes universidades, tal lapso temporal representa apenas o começo de uma trajetória.”

USP 80 ANOS

Organização: José Goldemberg

Editora: Edusp (456 páginas, R$ 114)

TRECHO

"A Escola Politécnica antecedeu em 40 anos a criação da Universidade de São Paulo. Os cursos de engenharia industrial, agrícola e civil e o curso anexo de artes mecânicas foram os primeiros a ser concebidos. A escola compunha um conjunto de ações visionárias governamentais e de empreendedores paulistas para criar e estabelecer uma indústria forte do Estado de São Paulo, de modo a propiciar crescimento econômico."

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