Livro de memórias de Sean Connery revela pouco sobre o ator

Se você quer revelações picantessobre as Bond girls ou fofocas sobre o mundo do cinema, o livrode memórias de Sean Connery não é o melhor lugar para procurar. A autobiografia do renomado ator escocês, "Being a Scot"(Ser escocês), é um livro sério escrito em colaboração com ocineasta escocês Murray Grigor. Lançado esta semana no 78o aniversário de Connery, duranteo Festival Internacional do Livro de Edimburgo, o livro relatasua infância, nos anos 1930, no bairro pobre de Fountainbridge,em Edimburgo. Connery conta como começou a ser ator, depois de ter sidoentregador de leite, marinheiro da Marinha Real (que teve quedeixar por sofrer de úlceras), modelo de pintores numafaculdade de arte e halterofilista. Por pouco, não se tornoujogador de futebol profissional. Mas o livro traz poucos detalhes sobre sua vida íntima ousobre os muitos casos de amor que ele teria tido em sua vida. Nacionalista escocês, ele dedica boa parte do livro àprópria Escócia, sua história, arte, literatura, arquitetura epoesia. Apesar disso, Connery vive nas Bahamas, tendo juradoque não voltará viver em sua terra natal enquanto ela nãoconquistar sua independência. Os filmes de James Bond o tornaram mundialmente famoso.Connery é visto como tendo definido o papel no cinema dopersonagem James Bond, criado pelo escritor Ian Fleming, desdeque foi visto no papel do agente secreto 007 no primeiro filmeda série, "007 Contra o Satânico Dr. No", de 1962. Ele trabalhou em sete filmes da série. O último deles, "007-- Nunca mais outra vez", é visto como produção que não fazparte da franquia oficial. Mas seu livro contém apenas meiadúzia de referências curtíssimas a Bond, embora Connery atribuasua paixão pelo golfe à necessidade de aprender a jogarconvincentemente para derrotar Goldfinger em "007 ContraGoldfinger", de 1964. O ator mostrou-se igualmente discreto no lançamento dolivro. Indagado se tinha uma Bond girl favorita, respondeu "naverdade, não". O livro foi publicado pela editora Weidenfeld e Nicholson ecusta 20 libras. A idéia original era que sairia pela grande editoraCannongate, de Edimburgo, mas, segundo o jornal The Scotsman, odono da Cannongate, Jamie Byng, desistiu do negócio por terdivergências graves com Connery em relação ao teor do livro. Os críticos literários parecem ter sido pegos de surpresapelo livro. Apenas o Sunday Times, cuja publicação irmã TheTimes tinha publicado alguns trechos, fez uma resenha completa. Mas mesmo o crítico que a assina, Christopher Hart,reconheceu que a longamente aguardada biografia acabourevelando não ser uma autobiografia. "Being A Scot" é sobre serescocês, não sobre ser Sean Connery.

IAN MACKENZIE, REUTERS

27 de agosto de 2008 | 13h07

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