Fundação Rodrigo Moya de Fotografia
Contato com fotos do escritor colombiano Gabriel García Márquez para a divulgação do livro 'Cem Anos de Solidão', em 1966. Fundação Rodrigo Moya de Fotografia

Livro constrói divertida biografia oral de Gabriel García Márquez pelos amigos

'Solidão e Companhia', de Silvana Paternostro, reúne conjunto de vozes que busca construir perfil de Gabo

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2021 | 05h00

Em 2001, a escritora colombiana Silvana Paternostro foi convidada por uma revista americana para escrever uma história oral de Gabriel García Márquez (1927-2014). Nada muito grande, mas, mesmo assim, ela teve uma boa ideia: em vez de ouvir o que celebridades tinham a dizer sobre Gabo, preferia conversar com aqueles que o conheceram antes de se tornar um premiado escritor – amigos, familiares, jornalistas e, principalmente, os personagens que aparecem em Cem Anos de Solidão

Silvana gravou 24 fitas de conversas, na Colômbia e no México, até saber que o artigo não mais sairia. Guardou o material até que, em 2010, decidiu transformá-lo na base de um livro. Reouviu as conversas, deu boas risadas, mas percebeu que precisava fazer mais entrevistas para preencher algumas lacunas. Voltou a campo e, com um farto material, construiu Solidão e Companhia, delicioso conjunto de vozes que, como num quebra-cabeça, busca construir o perfil de Gabo. O livro sai nesta semana pela Editora Planeta do Brasil, em seu selo Crítica.

Como bem define a autora, a obra é como uma festa em que os convidados falam sobre o anfitrião ausente, mentindo, exagerando, elogiando, fofocando. Todos trazendo histórias que, verídicas ou não, são originais. Solidão e Companhia (o título se refere a uma produtora de filmes que García Márquez desejava montar) se divide em duas partes – na primeira, A.C. (Antes de Cem Anos de Solidão), falam seus irmãos, assim como os amigos antes de ele se tornar o ícone latino-americano admirado internacionalmente. “Essa primeira parte reúne as vozes daqueles momentos irreverentes e esperançosos nos quais um menino provinciano decidiu se tornar escritor”, conta ela, lembrando que, para todos, ele era Gabito, jovem obstinado que sabia que o catatau que sempre carregava debaixo do braço se transformaria em algo muito importante.

E na segunda parte, D.C. (Depois de Cem Anos), surge um García Márquez premiado, um homem célebre. Nesse momento, Silvana abre exceções e libera a voz para escritores conhecidos, como o argentino Tomás Eloy Martínez e William Styron, somente porque trouxeram contribuições valiosas. Martínez, por exemplo, disse que, para ser amigo de Gabo, nunca se deve escrever sobre ele. Para ser mais claro nessa relação de confiança, o argentino lembrou de uma história de quando Gabo vivia em Paris, jovem e pobre.

“Ele viu Ernest Hemingway em um parque. Em vez de se aproximar e puxar conversa, decidiu gritar o nome dele do outro lado da pequena praça, levantar a mão e sinalizar com um gesto quanto o respeitava. Entendi o medo que sentia, pois é muito difícil se deixar ser tentado pela proximidade.”

Apesar da grande profusão de personagens, quase todos desconhecidos para o leitor brasileiro, o que valem são as histórias – é preciso lembrar que Gabriel García Márquez sempre se inspirou em histórias e personagens com quem conviveu. Como seu avô materno, coronel Nicolás Márquez, veterano da Guerra dos Mil Dias e com quem Gabito viveu os primeiros oito anos de vida.

Eram apaixonados um pelo outro. O avô comemorava o aniversário do neto todos os meses, a fim de lhe fazer festa e lhe dar presentes. Margot, irmã de Gabito, também vivia ali, em Aracataca, assim como uma tia, Mama, mulher solteira e de personalidade forte. “Era ela quem guardava as chaves da igreja e as do cemitério. Um dia, vieram pedir as chaves do cemitério porque tinham de enterrar um morto. Tia Mama foi procurar as chaves, mas começou a fazer outra coisa e esqueceu-se delas. Cerca de duas horas depois ela se lembrou, e o morto teve de esperar até que ela aparecesse com as benditas chaves. Ninguém se atreveu a lhe dizer nada”, conta ela.

As histórias de família povoaram a imaginação de Gabito, inspirando sua escrita. E sua vida mudou com o Nobel de Literatura em 1982 – a notícia chegou quando ainda era madrugada na Cidade do México, onde então morava. Os amigos iam chegando e encontraram Mercedes, mulher do escritor, com todos os telefones fora do gancho. O assédio que se tornaria corriqueiro já começara.

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Livro com textos jornalísticos de Gabriel García Márquez revela devoção à imprensa

'Escândalo do Século' é seleção de 50 artigos, publicados entre 1950 e 1984, que a editora Record lança até o fim de junho

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2020 | 05h00

Primogênito de uma família de 11 filhos, o escritor Gabriel García Márquez (1927-2014) era, entre todos, o menos loquaz – enquanto os demais se expressavam com facilidade, Gabo, como era conhecido, preferia escutar e sorrir. “Mas, quando ele falava, era o momento de todos ouvirem com atenção porque Gabriel resumia em três palavras o que nós diríamos em mil”, relembrou, certa vez, Jaime, o irmão caçula. “Ele gostava mesmo era de escrever: por meio de seus livros, Gabriel passava um entendimento do mundo e dos sentimentos que lhe colocavam como um verdadeiro gênio.”

E, se a consagração internacional (além do prêmio Nobel de Literatura de 1982) foi conquistada pelo valor de sua literatura, García Márquez se dizia, acima de tudo, um jornalista. “Não quero ser lembrado pelo romance Cem Anos de Solidão, nem pelo Nobel, mas pelo jornalismo”, dizia ele, que entendia tal atividade como “uma necessidade biológica da humanidade”.

 

 

Uma prova dessa profissão de fé à imprensa pode ser encontrada em O Escândalo do Século, seleção de 50 artigos, publicados entre 1950 e 1984, e que a editora Record lança até o fim de junho. Trata-se de um conjunto de textos escolhidos entre os que a própria Record editou em 2006, distribuídos em cinco volumes. Dessa vez, o garimpo foi feito pelo editor Cristóbal Pera e a edição contou com a introdução de outro grande jornalista, Jon Lee Anderson.

“Gabo foi jornalista; o jornalismo foi, de certo modo, seu primeiro amor, e, como todos os primeiros amores, o mais duradouro”, escreve Anderson. “Foi essa profissão que lhe deu as bases para se tornar escritor, coisa de que ele sempre se lembrou; sua admiração pelo jornalismo chegou ao ponto de levá-lo a proclamar, em algum momento, com sua característica generosidade, que esse era ‘o melhor ofício do mundo’.”

García Márquez, de fato, construiu uma bem nutrida trajetória na imprensa, escrevendo sobre temas áridos, como política e economia, além de críticas cinematográficas e comentários sobre o trabalho de colegas ilustres. A estreia aconteceu justamente em 21 de maio de 1948, quando iniciou a coluna Punto y Aparte, no jornal El Universal, de Cartagena. Já nessas linhas, o autor colombiano ensaia o formato de escrita que o tornaria famoso como romancista. 

Foi em 1950, aliás, que ele se conscientizou de qual caminho deveria seguir para se consagrar como um grande escritor. Não houve visões repentinas nem mudanças súbitas de estado de espírito – Márquez apenas voltou à terra de infância, onde, em meio às fortes lembranças, descobriu a força de sua escrita. Colaborou, ainda, o contato com seus mestres de ofício no jornal El Heraldo, para o qual se transferiu, e também seu grupo intelectual em Barranquilla.

O Escândalo do Século, portanto, começa com a escrita de um colombiano jovem e boêmio, prestes a decolar como escritor, e segue até 1984, quando já é um autor maduro e consagrado. “É uma antologia que nos revela um escritor de escrita amena em suas origens, brincalhão e desinibido, cujo jornalismo pouco se distingue de sua ficção”, observa Anderson. “Em Tema para um Tema, por exemplo, ele escreve sobre a dificuldade de encontrar um assunto apropriado para começar um artigo. ‘Há quem transforme a falta de tema em tema para um artigo de jornal’, diz.

 

 

Para deleite de seus leitores mais fiéis, há textos que trazem pistas sobre sua ficção – é o caso de A Casa dos Buendía (Anotações para um Romance), que oferece trechos encantadores como esse: “Quando Aureliano Buendía voltou ao povoado, a guerra civil havia terminado. Talvez não restasse ao novo coronel nada que lembrasse a áspera peregrinagem. Restavam-lhe apenas o título militar e uma vaga inconsciência de seu desastre. Mas lhe restava também a metade da morte do último Buendía e uma ração inteira contra a fome. Restavam-lhe a nostalgia da vida doméstica e o desejo de ser dono de uma casa tranquila, aconchegante, sem guerra, que tivesse um portal alto para receber o sol e uma rede no quintal, estendida entre duas forquilhas”.

“Os leitores de sua ficção encontrarão em muitos desses textos uma voz reconhecível, a formação dessa voz narrativa por meio de seu trabalho jornalístico”, atesta Cristóbal Pera. “Como afirma Jacques Gilard, ‘o jornalismo de García Márquez foi principalmente uma escola de estilo e constituiu o aprendizado de uma retórica original’.”

Na década de 1950, Gabo acompanhou incidentes locais para escrever reportagens investigativas – não meramente informativas, mas com uma estrutura que vai além de apenas enumerar fatos. Um traço marcante dessas reportagens é o sutil desvio de interpretação oferecido pelo escritor – se é rigoroso com os dados, apresentando milimetricamente todos os detalhes da história, ou se, por outro lado, lança mão de metáforas, García Márquez apresenta uma leitura variada dos fatos. Cada informação, comprovada ou não, conquista uma parcela de verdade.

É de tirar o fôlego, por exemplo, a leitura do longo texto que dá título ao livro, O Escândalo do Século: trata-se de um compilado de crônicas publicadas entre 17 e 30 de setembro de 1955, no El Espectador, de Bogotá. Ali, García Márquez detalha, com precisão cirúrgica, o caso de Wilma Montesi, jovem de 21 anos, filha de um carpinteiro em Roma, que foi encontrada morta, por afogamento – evidências indicavam assassinato e envolviam o filho do chanceler italiano.

García Márquez acompanhou todos os fatos, foi em busca de minúcias, ciente de que estava diante de uma grande história. Como Truman Capote fizera na exaustiva pesquisa para A Sangue Frio (ele jurava ter feito investigações em mais de 8 mil páginas), García Márquez não despreza nenhuma informação e dialoga com a exatidão obsessiva. O título traz o exagero que tende à literatura e o subtítulo é uma pérola: “Morta, Wilma Montesi passeia pelo mundo”.

“Como leitor e editor de García Márquez, escolhi textos em que se mostre latente essa tensão narrativa entre jornalismo e literatura, em que as costuras da realidade se estendam por seu incontrolável impulso narrativo, oferecendo aos leitores a possibilidade de desfrutar uma vez mais do ‘contador de histórias’ que foi García Márquez”, observa Cristóbal Pera.

E há outros exemplos desse estilo, como observa Anderson: “Caracas Sem Água e Só 12 Horas para Salvá-lo são clássicos do emergente estilo jornalístico de Gabo, no qual a narração, reconstrução minuciosa de dramas da vida real, é veiculada em tom de suspense, às vezes quase hitchcockiano, e com um desenlace que só se revela no fim”.

A editora Record pretende lançar ainda outra obra de Gabriel García Márquez, Maria dos Prazeres e Outros Contos, seleção de seis histórias curtas ilustradas, prevista para agosto.

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Sete filmes inspirados em obras de Gabriel García Márquez e um documentário sobre o escritor

'Gabo: A Criação de Gabriel García Márquez', dirigido pelo inglês Justin Webster, está no catálogo da Netflix

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2020 | 14h43

Nobel de Literatura, o escritor colombiano Gabriel García Márquez nasceu no dia 6 de março de 1927, em Aracataca, e morreu em 17 de abril de 2014, na Cidade do México. Autor de livros como o clássico Cem Anos de Solidão, Gabo, como era chamado, teve algumas de suas obras transpostas para o cinema. Ruy Guerra, por exemplo, fez várias adaptações da obra do amigo García Márquez, como foi o caso de Erêndira (1980), personagem que foi interpretado por Claudia Ohana. 

Veja a seguir algumas das obras do colombiano que viraram filme, mas também um belo documentário sobre ele na Netflix. 

O Amor nos Tempos do Cólera (2007)

Direção de Mike Newell. O jovem Florentino Ariza (Javier Bardem) é apaixonado pela bela Fermina Daza (Giovanna Mezzogiorno). O pai dela não concorda com um relacionamento entre os dois e manda a menina para viver na fazenda de sua prima. Lá ela conhece e se casa com Juvenal Urbino (Benjamin Bratt), um médico que luta para evitar a disseminação da cólera. 

 

O Veneno da Madrugada (2006)

Ruy Guerra adaptou um romance pouco conhecido do amigo Gabo, o La Mala Hora. Em um povoado da América do Sul, a chuva e a lama são parte do cotidiano local, com suas construções antigas e decadentes e um povoado estagnado. Bilhetes anônimos espalhados pela cidade trazem informações sobre traições amorosas e políticas, assassinatos, romances secretos e segredos de família, fazendo com que a violência tome conta da situação.

 

Erêndira (1983)

Outra obra de Gabo, A Verdadeira História de Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada, foi dirigida por Ruy Guerra. A adolescente Erêndira (Claudia Ohana) tem visões místicas e, no meio de uma delas, a casa de sua avó (Irene Papas) é consumida pelo fogo. Para conseguir reparar a grande perda material, a senhora passa a prostituir a neta. 

 

A Bela Palomera (1988)

Novamente Ruy Guerra adapta livro de Garíca Márquez, repetindo a parceria com Cláudia Ohana, que tem também a presença de Ney Latorraca. História se passa no fim  do século 19. Dono da maior fábrica de aguardente de Paraty, Orestes (Ney Latorraca) é um solteiro convicto. Mas eis que vai se apaixonar por Fúlvia (Claudia Ohana), uma jovem criadora de pombos, mas casada. 

 

Ninguém Escreve ao Coronel (1999)

Dirigido pelo mexicano Arturo Ripstein. À espera de sua aposentadora, o Coronel (Fernando Luján) aguarda, toda sexta-feira, a chegada da carta com a boa notícia. Mas isso já faz 27 anos e ainda nada, mas ele não perde as esperanças. No entanto, a situação em sua casa só piora, pois ele e sua mulher Lola (Marisa Paredes) estão passando fome. A única alternativa que ainda resta é um galo de briga.

 

Memórias de Minhas Putas Tristes (2011)

Dirigido pelo dinamarquês Henning Carlsen, tem no elenco Geraldine Chaplin, como Rosa Cabarcas, a cafetina do romance. Um jornalista decide comemorar seus 90 anos em um prostíbulo, pensando em uma tórrida noite de prazer com uma jovem virgem. No local, a garota de seus sonhos surge, mas o que ele não esperava era se apaixonar pela menina. 

 

Crônica de uma Morte Anunciada (1987)

Esta adaptação ficou a cargo do cineasta italiano Francesco Rosi. Em uma história de vingança, Santiago (Anthony Delon) é esfaqueado, fato que não surpreende ninguém, pois os irmãos Vicario haviam mesmo declarado que o matariam. Eles tinham que vingar a honra da irmã mais nova deles, e é só dessa forma que eles resolvem as coisas.

 

No streaming

Gabo: A Criação de Gabriel García Márquez, documentário dirigido pelo inglês Justin Webster, está no catálogo da Netflix. O mundo do escritor colombiano, que ganhou o mundo com seu realismo fantástico, é mostrado por meio de imagens de arquivo e relatos de amigos e profissionais que conheciam sua obra e sua vida. 

 

 

 

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México transforma casa em que García Márquez escreveu 'Cem Anos de Solidão' em espaço literário

Gabriel García Márquez, que nasceu em 6 de março de 1927 e morreu em 17 de abril de 2014, é homenageado na Cidade do México, onde escreveu seu clássico literário

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

03 de março de 2020 | 08h12

A casa onde Gabriel García Márquez (1927-2014) escreveu sua obra-prima Cem Anos de Solidão vai virar um espaço literário. O anúncio foi feito às vésperas do aniversário do escritor - ele nasceu no dia 6 de março (e morreu no dia 17 de abril de 2014).

A casa fica fica no bairro San Ángel Inn, na Cidade do México. García Márquez viveu ali, naquele imóvel alugado, entre 1965 e 1967, assim que desembarcou no País.

Segundo a ANSA, a Fundação para as Letras Mexicanas (FLM), que recebeu a residência como doação de Laura Coudurier, filha do antigo senhorio de García Márquez, Luis Coudurier, ficará responsável pela adaptação do espaço.

Ainda de acordo com a agência, Gabo atrasou o aluguel por alguns meses. Quando o proprietário ligou para cobrar, Mercedes Barcha, mulher do escritor, disse que o casal não tinha dinheiro porque ele estava trabalhando num romance novo e que pagariam dali a 9 meses. Coudurier disse que tudo bem.

Gabriel García Márquez escrevia justamente Cem Anos de Solidão, que, lançado em 1967, viraria clássico.

A casa tem 260 metros quadrados, três quartos e dois banheiros e mantém as mesmas características de quando a família do escritor viveu ali.

O tradutor e crítico literário Geney Beltrán vai cuidar das atividades da futura Casa-Estúdio Gabriel García Márquez ao lado do escritor Juan Villoro. A ideia é que o local, que ainda não tem data prevista de inauguração, seja um espaço de incentivo à criação e ao debate.

Por falar em Gabriel García Márquez e em seu clássico literário, a Netflix disse recentemente que ainda sabe quando lança a série adaptada de Cem Anos de Solidão e que tudo está sendo feito com calma.

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