'Literatura é guia para vida', diz Umberto Eco

A afirmação foi feita no Pen World Voices, festival de literatura organizado em Nova York

ANSA

06 de maio de 2008 | 18h02

A literatura não é uma fuga da realidade, mas sim um guia para a vida. A afirmação foi feita pelo escritor italiano Umberto Eco, em sua participação no Pen World Voices, festival de literatura organizado em Nova York. "Anna Karenina se suicida: é um exemplo de afirmação dada por um romance que, como tal, permanece verdadeira pela eternidade, diferentemente das leis da ciência, que tidas como verdadeiras podem ser desmentidas a qualquer momento", disse o escritor. Eco abriu a conferência -- intitulada "A utilidade da literatura para a vida e para a morte" -- perguntando-se "de que modo algo que por definição não é verdadeiro pode revelar a verdade". Começando com Alexandre Dumas, passando por Leon Tolstoi e citando como contraponto o personagem Superman, Eco afirmou que "uma das funções da narrativa é ajudar-nos a entender qual é a 'chave' da vida", já que "os fatos que ocorrem no romance tornam-se fatos reais sobre os quais uma inteira comunidade de leitores concorda". "A verdadeira função educativa do romance", portanto, existe mesmo se os fatos que o compõem não sejam verdadeiros no plano ontológico: "eles existem por hábito cultural e disposição emotiva", disse Eco. O autor de "O Nome da Rosa" falou na Arthur Miller Lecture, a conferência central do festival de literatura internacional organizado anualmente pelo Pen American Center, ramo norte-americano da associação de escritores. Também participaram do festival este ano outros 170 escritores de 51 países.

Tudo o que sabemos sobre:
umberto ecoliteraturapen world voices

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.